
A Câmara de Sintra vai condicionar, a partir de quarta-feira, o acesso ao centro histórico da vila, com novas regras para veículos TVDE e estacionamento de autocarros turísticos nos parques periféricos do Lourel e Ramalhão.
Segundo a autarquia, o Plano Viver e Visitar a Vila de Sintra define “uma estratégia faseada para ordenar a mobilidade turística, proteger a serra” e “reduzir a pressão automóvel no centro histórico”, com uma operação reforçada neste verão, a partir das 08:00 desta quarta-feira.
Na operação, semelhante à do período da Páscoa, mantém-se o acesso de veículos turísticos, TVDE (transporte em veículos descaracterizados a partir de plataforma eletrónica), táxis e veículos de animação turística ao Palácio da Pena, e acesso condicionado à Quinta da Regaleira, permitindo transporte público, de residentes e viaturas de emergência e segurança.
O plano, a que a Lusa teve acesso, aprovado hoje no executivo municipal pelo PSD, vereadora independente e Chega, com abstenção do PS, proíbe a circulação de autocarros turísticos na Volta do Duche, que são redirecionados para o parque periférico de Lourel ou para o Ramalhão, e a criação de zonas para tomada e largada de passageiros (‘pick & ride’) de TVDE.
“O parque de Lourel assume, neste contexto, uma função central na redução da pressão automóvel sobre a vila, o centro histórico e os acessos à serra, devendo funcionar como ponto periférico de receção, encaminhamento e apoio aos visitantes, articulado com o transporte público”, lê-se na proposta do vice-presidente da autarquia, Francisco Duarte (PSD).
Gerido pela Empresa Municipal de Estacionamento de Sintra (EMES), o parque de cerca de 540 lugares gratuitos articula-se com as carreiras de transporte público 434 e 435, que ligam aos palácios, e pontos de apoio e informação ao visitante, na estação ferroviária de Sintra e Volta do Duche.
No caso da Quinta da Regaleira, a Volta do Duche assume “a função de ponto oficial de largada de passageiros, deixando de ser permitida a largada direta junto ao monumento”, refere-se no plano.
O município, de acordo com outra proposta aprovada, vai firmar um acordo com as plataformas Bolt e Uber, para organização da tomada e largada de passageiros de veículos TVDE, com vista a “reduzir paragens indevidas, melhorar a fluidez rodoviária, proteger os peões" e "facilitar a fiscalização".
“A tomada e largada de passageiros não pode ocorrer de forma desordenada, em locais sensíveis, junto a curvas, cruzamentos, rotundas, paragens de transporte público, zonas pedonais, acessos estreitos ou áreas de forte concentração de visitantes”, acrescenta-se na minuta do acordo.
Os pontos oficiais iniciais de ‘pick & ride’ são os largos Dr. Virgílio Horta, Sousa Brandão, Carlos França, a Volta do Duche, Estrada do Macieira, palácios da Pena, Seteais e Monserrate, Castelo dos Mouros, Chalet da Condessa, Quinta de Monserrate/Thiago e Convento dos Capuchos.
O reforço operacional entre Polícia Municipal, GNR, EMES e restantes entidades deverá prever a fiscalização, “sempre que possível, com meios de baixa emissão”, incluindo veículos elétricos, nomeadamente bicicletas “afetas a brigadas cicláveis”.
Áreas permanentes de controlo funcionarão em vários pontos da vila e está prevista a “prevenção de furtos nas zonas da Pena, Regaleira, [Castelo dos] Mouros e Portela”.
“A componente digital será essencial para reduzir entradas indevidas no centro histórico e melhorar o encaminhamento dos visitantes”, em articulação com aplicações de navegação e plataformas de operadores de transportes e turísticos, advoga-se.
Para avaliar o impacto das medidas, será criado “um sistema de monitorização ambiental, com recurso a sensores e equipamentos de leitura instalados em pontos estratégicos da vila, da serra e das zonas de circulação condicionada”.
O plano, com esta monitorização, passa a “integrar uma componente permanente de avaliação ambiental, garantindo maior rigor, transparência e capacidade de decisão na proteção da serra de Sintra, do centro histórico e da Paisagem Cultural” da UNESCO.
O vereador Bruno Parreira justificou a abstenção do PS por se tratar de “um conjunto de medidas avulso a que chamaram plano”,com “coisas que já se faziam em época alta”, nomeadamente a polícia em alguns sítios, e não foram consultados setores e entidades envolvidas.
Lusa