
O presidente da Câmara de Sintra, Marco Almeida, decidiu substituir a vice-presidência do município, oito meses depois das eleições, o que gerou críticas do PS, que exigiu esclarecimentos ao autarca social-democrata.
De acordo com um despacho assinado por Marco Almeida, datado de terça-feira, a que agência Lusa teve acesso, Andreia Bernardo (PSD), que exercia até agora o cargo de vice-presidente da Câmara de Sintra, será substituída pelo também vereador social-democrata Francisco Duarte, que assume estas funções por um período de seis meses.
Segundo o documento, o presidente da Câmara de Sintra justifica a retirada da vice-presidência a Andreia Bernardo com o “vasto âmbito das competências” que lhe estão delegadas e subdelegadas, nomeadamente as áreas da Educação, Promoção Social e Cultura, que lhe impõem “um esforço manifestamente acrescido e um empenhamento constante na respetiva gestão”.
Num comunicado divulgado esta quinta-feira, o PS de Sintra exigiu esclarecimentos a Marco Almeida sobre a substituição da vice-presidência, considerando que a decisão revela uma crise política e gera instabilidade no executivo municipal.
“Trata−se de um episódio inédito na história democrática recente do concelho. Nos últimos 25 anos, o município de Sintra nunca assistiu a uma destituição desta natureza no topo do executivo camarário”, sublinham os socialistas.
O partido considera que a nomeação de um substituto por um período transitório de seis meses e a justificação apresentada por Marco Almeida agravam a situação.
“O que mudou na gestão do PSD? Que falhas ou alterações graves ocorreram na liderança da Câmara Municipal de Sintra para que a vereadora Andreia Bernardo deixasse subitamente de ter condições para ser vice-presidente?”, questiona o PS.
Contactada pela Lusa, fonte da Câmara de Sintra disse apenas que se trata de um “não tema”.
“O PS que se preocupe mais com Sintra em vez de perder tempo com não temas”, sublinhou a mesma fonte.
O novo vice-presidente da Câmara de Sintra, Francisco Duarte, tem entre os seus pelouros as Obras Municipais e Gestão do Espaço Público, Transportes e Mobilidade, a que se junta agora competências para aprovar minutas e outorgar contratos, em articulação com os detentores dos pelouros competentes.
Ao vice-presidente compete também substituir o presidente nas suas faltas e impedimentos.
O atual executivo é composto por quatro eleitos do PS, três do PSD, um independente (ex-IL) e três do Chega, tendo Marco Almeida atribuído competências a dois vereadores do partido de extrema-direita para assegurar uma maioria estável na governação do município.
Marco Almeida foi eleito pela coligação PSD/IL/PAN, mas a vereadora da IL viu o partido retirar-lhe a confiança política por discordar da entrega de pelouros ao Chega, passando a independente.
Lusa