
Cascais vai receber entre os dias 13 e 28 de junho a 2ª edição do ESPANTO – Festival Internacional de Filosofia. Depois de uma primeira edição que reuniu cerca de 1.350 participantes e mais de 30 oradores e especialistas nacionais e internacionais, o festival regressa com uma programação centrada no tema “Desejo”.
Criado com o objetivo de aproximar a Filosofia do espaço público e retirar o pensamento filosófico dos círculos exclusivamente académicos, o ESPANTO consolidou-se como um espaço de encontro entre reflexão, atualidade e cidadania. A edição de 2026 propõe uma análise ao desejo enquanto força motriz da ação humana e das dinâmicas coletivas, atravessando temas como o prazer, o poder, a liberdade, a economia, a arte e o conhecimento.
Ao longo de quatro dias, o festival reúne nomes de referência do pensamento contemporâneo nacional e internacional. Entre os primeiros convidados confirmados estão Didier Eribon, escritor e filósofo francês conhecido pela obra “Regresso a Reims”; Minna Salami, autora e analista feminista; Richard Shusterman, professor da Florida Atlantic University; Sebastian Sunday Grève, professor na Universidade de Pequim; Gilles Lipovetsky, filósofo e sociólogo francês; Gonçalo M. Tavares; e João Constâncio, professor catedrático da Universidade Nova de Lisboa.
O programa integra ainda personalidades como Nick Willing, realizador britânico e filho da pintora Paula Rego, Samantha Rose Hill, Maria Luísa Ribeiro Ferreira, Marta Faustino, Onésimo Teotónio Almeida, Madalena Sá Fernandes, Manuel Curado, Inês Bolinhas, David Erlich, Cláudia Clemente e Anabela Mota Ribeiro, entre muitos outros nomes que serão anunciados nas próximas semanas.
Para o presidente da Câmara Municipal de Cascais, Nuno Piteira Lopes, “quando se fala de filosofia, fala-se de realidade, porque a filosofia só existe porque a realidade existe”. O autarca considera ainda que “com mais uma edição deste evento no nosso território, Cascais torna-se berço da reflexão sobre a verdade e uma referência nacional no mundo do pensamento e da cultura”.
Também Salvato Teles de Menezes, presidente e diretor-delegado da Fundação D. Luís I, sublinha a dimensão pública do festival, destacando a capacidade do ESPANTO para “devolver a filosofia à cidade, ao encontro público, à experiência comunitária e à vida concreta”.
Distribuído por vários espaços emblemáticos do concelho, como a Casa das Histórias Paula Rego, o Centro Cultural de Cascais e o Parque Marechal Carmona, o festival incluirá igualmente sessões em bairros comunitários, reforçando a vertente cívica e inclusiva do projeto.
A fundadora do festival, Catarina Barosa, recorda a ligação histórica de Cascais ao ensino da Filosofia, sublinhando que o antigo Convento de Nossa Senhora da Piedade, atual Centro Cultural de Cascais, foi “uma das primeiras escolas de Filosofia do país” no século XVI. Sobre o tema desta edição, refere que “o desejo atravessa a existência individual moldando também as grandes dinâmicas coletivas”, assumindo-se como elemento central da construção humana.
A edição de 2026 do ESPANTO prestará ainda homenagem a Viriato Soromenho Marques, professor catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e reconhecido investigador nas áreas do Ambiente, Filosofia Política e Estudos Europeus.
Inscrições e o programa completo aqui.