• Quinta-feira, 30 Abril 2026

Champalimaud e hospital do Vaticano firmam acordo contra cancro

A Fundação Champalimaud e o Hospital Pediátrico Bambino Gesù assinaram um acordo na área da imunoterapia e terapias avançadas para desenvolver tratamentos contra o cancro, a disponibilizar a custos reduzidos a entidades e regiões com menos recursos.

A carta de intenções, divulgada estaquinta-feira, foi assinada, em Roma, pela presidente da Fundação Champalimaud, Leonor Beleza, e pelo presidente do hospital italiano Bambino Gesù, Tiziano Onesti, e visa criar uma sinergia no campo das terapias avançadas, abrindo caminho à criação de uma rede internacional de instituições que partilham os mesmos valores éticos e científicos.

O acordo prevê a integração da experiência da Fundação Champalimaud na oncologia de adultos com a especialização pediátrica do hospital Bambino Gesù, "realizando uma sinergia única para a medicina translacional, com um percurso que se desenvolve desde as fases de investigação e desenvolvimento até ao leito do doente", referem as instituições em comunicado.

A colaboração prevê o desenvolvimento conjunto de plataformas para terapias celulares avançadas, com particular referência à imunoterapia baseada na utilização de células CAR-T como modelo de terapia personalizada e de precisão contra diversas patologias, como o cancro e as doenças autoimunes.

"O objetivo é desenvolver modelos que permitam produzir e administrar estas terapias avançadas, facilitando a sua difusão global, com um impacto ético e social significativo", salientam as instituições. Sublinham que o acordo prevê explicitamente que "os resultados obtidos sejam disponibilizados a custos reduzidos para entidades sem fins lucrativos ou para contextos com baixos recursos".

"O nosso principal objetivo é criar um modelo de desenvolvimento que torne cuidados inovadores, muitas vezes muito dispendiosos e de difícil acesso, seguros, eficazes e sustentáveis para um maior número de doentes, tanto crianças como adultos", afirma Leonor Beleza, citada no comunicado.

Tizianio Onesti acrescenta que a união das instituições pretende "responder ao apelo do Papa Leão XIV para que o acesso aos cuidados de saúde não permaneça um privilégio de poucos, mas se torne um direito tangível, especialmente para os mais pobres, os vulneráveis e aqueles que vivem em regiões desfavorecidas".

Segundo Markus Maeurer, diretor do Comprehensive Cell Therapy Center da Fundação Champalimaud, "a troca de ideias, conhecimentos, jovens investigadores e tecnologia permitirá disseminar, acelerar o desenvolvimento e tornar acessíveis terapias avançadas que, neste momento, estão pouco disponíveis, quer do ponto de vista económico quer geográfico, para a maioria dos doentes". O acordo foi patrocinado por D. Renzo Pegoraro, presidente da Pontifícia Academia para a Vida, e pelo patriarca de Lisboa, Rui Manuel Sousa Valério, que destacou a importância desta colaboração.

"Num mundo tantas vezes marcado pela fragmentação e pela indiferença, este gesto conjunto proclama uma verdade essencial: que a vida de cada criança possui um valor infinito; que nenhuma fragilidade é irrelevante; que nenhum sofrimento deve ser vivido na solidão", sublinha o patriarca de Lisboa. Numa mensagem divulgada no comunicado, o secretário de Estado da Santa Sé, o Cardeal Pietro Parolin, realçou que esta iniciativa, além do elevado perfil científico, tem também expressão de "uma visão ampla e de longo alcance, na qual o progresso médico se confronta com as exigências incontornáveis da justiça, da solidariedade e da promoção integral da pessoa".

Para Pietro Parolin, trata-se de uma conceção da medicina "não orientada exclusivamente por critérios de sustentabilidade económica, mas que assume como seu parâmetro fundamental o valor intrínseco da vida humana".

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