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As retemperadoras caminhadas ou corridas pelo fantástico Passeio de Algés vão ter de esperar mais algum tempo, talvez mais do que o esperado. O LOCAL esteve num dos mais belos recantos do Tejo e constatou que as coisas estão para durar “sine die”. O alcatrão está destruído, contorcido, como se tivesse sido agredido pela fúria do Rei Neptuno.
Ao longo da nossa caminhada, passamos por um ou outro aventureiro, mas são manifestamente poucos, aliás, muito poucos os que se atrevem a desafiar as margens onde fúria do mar bate, indiferente às mossas que está a provocar na costa de Oeiras... e do continente. O choque das revoltas águas contra o passeio assustam, metem um respeito tremendo, mesmo com a maré baixa… Somos tolhidos por um sentimento de tristeza, de impotência, este passeio paradísico está transformado numa amálgama de betão, ferros, plásticos, enfim tudo aquilo que o Homem lançou e o mar acabou por nos devolver…

Sobre o alcatrão retorcido encontrámos Vítor Peixoto, voluntário e indefetível amante de passeios de bicicleta junto ao Tejo. O LOCAL questionou-o sobre as razões que o levaram a ajudar a limpar o mal tratado passeio oeirense, ali, mesmo em frente ao histórico Aquário Vasco da Gama.
“Estou com esta missão porque é preciso, todos somos poucos para ajudar a ultrapassar esta tragédia… doi-me o coração. Tenho o maior carinho por este passeio, é uma grande injustiça. Se alguém me paga para esta tarefa? Nem pensar, nunca pedi nada… a minha recompensa é que o Passeio volte a ser aquilo que era… e rapidamente!”, disse Vítor Peixoto, acrescentando: “O meu forte desejo é voltar aos meus passeios de biclicleta aqui pelo passeio.”
