
Desde o passado domingo, 4 de outubro, os cães de companhia voltam a fazer parte da paisagem dos Jardins dos Palácios Nacionais de Sintra e de Queluz. A medida, anunciada pela Parques de Sintra por ocasião do Dia do Animal, permite recuperar uma tradição com mais de um século e tornar estes espaços históricos mais acessíveis a quem não dispensa a companhia dos seus animais.
Os Jardins dos Palácios Nacionais de Sintra e de Queluz juntam-se, assim, ao Castelo dos Mouros e ao Parque de Monserrate, onde a entrada de cães já é permitida desde 2022 e 2024, respetivamente. A medida abrange também o Convento dos Capuchos.
A presença de cães não é, contudo, uma novidade na história destes espaços. Em Sintra, os animais de companhia fizeram parte do quotidiano da Família Real Portuguesa, estando presentes nos palácios, jardins e momentos de lazer. A relação da família real com os cães ficou registada em diversas imagens e obras, incluindo uma fotografia da Rainha D. Amélia no Palácio da Pena, acompanhada por três dos seus cães.
Também D. Fernando II tinha uma particular ligação aos animais, tendo representado dezenas de cães através de aguarelas, desenhos a carvão e peças de cerâmica. Já no Palácio Nacional de Queluz, o Jardim Botânico conserva quatro esculturas de perdigueiros, testemunhando a importância destes animais para a Família Real.
Para receber os visitantes de quatro patas, os espaços foram preparados com bebedouros, dispensadores de sacos para recolha de dejetos e locais onde os cães podem permanecer em segurança enquanto os donos visitam áreas onde a circulação de animais não é permitida.
A entrada dos cães é gratuita, sendo necessário levantar um bilhete de acesso para o animal à entrada dos monumentos. Existem, no entanto, regras específicas para garantir a segurança dos visitantes, o bem-estar dos animais e a preservação do património, da fauna e da flora.
Entre as principais regras está a obrigatoriedade do uso de trela não extensível, sendo permitido apenas um cão por pessoa. Cada monumento pode receber, em simultâneo, um máximo de cinco cães. Os animais devem circular apenas pelos caminhos autorizados e os donos são responsáveis pela recolha dos dejetos.
O acesso é permitido apenas a cães com microchip e a circulação está interditada em determinadas áreas, devidamente assinaladas. Os animais não devem perturbar outros visitantes ou a restante fauna dos espaços.
No caso de cães de raças potencialmente perigosas, é obrigatório o acompanhamento por uma pessoa com mais de 16 anos, o uso de açaime e de trela curta, até um metro, além da apresentação da respetiva licença.