• Quarta-feira, 29 Julho 2026

Francisca Silvestre: "Acredito no projeto e vejo que o clube tem vindo a evoluir"

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A poucas semanas de abrir a oficina no arranque dos trabalhos para a nova época, o Estrela da Amadora garantiu estabilidade segurando a sua guarda-redes titular na temporada anterior. Francisca Silvestre - Chica, como é reconhecida pelo balneário tricolor - prolongou a ligação por mais uma época e acredita não só na sua afirmação como jogadora, como também do próprio clube no panorama do futebol feminino nacional.

- Cumpriu a primeira temporada ao serviço do Estrela da Amadora. Que balanço faz?

- Faço um balanço muito positivo, foi uma época de adaptação a um novo clube, novas colegas e uma nova forma de trabalhar, mas senti-me muito bem integrada desde o primeiro dia, continuei a evoluir como jogadora.
Ficámos em primeiro lugar do grupo, alcançando a fase de campeão, algo que até ao momento ainda não tinha acontecido na equipa feminina do Estrela da Amadora.

- Na época transata, alcançou o recorde de jogos numa só época (16). Como descreve a época a nível pessoal? Correspondeu às expectativas?

- Foi uma época importante para mim. O facto de ter conseguido realizar o maior número de jogos da minha carreira mostra que consegui manter consistência e disponibilidade ao longo da época, apesar de ter terminado mais cedo, devido a uma lesão. Também foi um sinal da confiança que os treinadores depositaram em mim, pois deram-me a oportunidade de ter minutos e de contribuir em tantos jogos. Claro que quero sempre jogar mais e ajudar ainda mais a equipa, mas considero que foi uma época positiva e que correspondeu às minhas expectativas.

- Chegou a acordo para renovar e seguirá por mais um ano no clube. Em que aspetos se revê no clube? O que a levou a continuar?

- Identifico-me com os valores do clube, como a ambição, o espírito de grupo e a vontade de crescer. Além disso, acredito no projeto e vejo que o clube tem vindo a evoluir, reforçando a sua estrutura e criando melhores condições de trabalho. Um dos fatores que também pesou na minha decisão de continuar foi o trabalho desenvolvido pelo treinador de guarda-redes [Tiago Freitas], que considero muito importante para a minha evolução. A decisão de continuar foi natural, porque sinto que ainda tenho muito para dar ao clube e quero contribuir para alcançarmos os nossos objetivos.

- Qual o momento mais especial do seu percurso no clube até agora? Como o descreve?

- É difícil escolher apenas um momento, mas diria que o mais especial foi o último jogo da fase de grupos, em São Miguel, quando garantimos o apuramento para a fase de campeão. Foi um momento muito marcante, não só pelo objetivo alcançado, mas também pelo ambiente vivido. Ao longo de toda a época tivemos sempre um grande apoio dos adeptos, que foram muito importantes para nós. Sempre que entrávamos em campo, sentíamos uma enorme responsabilidade e um grande orgulho por vestir esta camisola.

- Estreou-se como sénior e logo num jogo no principal escalão, a Liga BPI, com apenas 17 anos, pelo Futebol Benfica. Como recorda esse momento?

- Foi um momento inesquecível. Era muito jovem e estava a concretizar um sonho pelo qual tinha trabalhado durante muito tempo. Entrei em campo com alguma ansiedade, algo natural pela importância do momento, mas também com muita vontade de aproveitar a oportunidade. O jogo terminou com uma vitória nossa por 2-1 frente ao Valadares Gaia, tornando a estreia ainda mais especial. Foi uma experiência que me fez crescer bastante, não só pela exigência do principal escalão, mas também pela oportunidade de jogar ao lado e contra grandes referências do futebol feminino, como a Edite Fernandes e a Lúcia Alves, entre outros nomes.

- Apesar de ainda jovem - 25 anos - leva nove épocas como sénior. O que lhe falta alcançar? Que sonho tem por realizar?

- Ainda tenho muitos objetivos por alcançar. Quero continuar a evoluir, afirmar-me cada vez mais e ajudar as equipas que represento a atingirem os seus objetivos. Como qualquer jogadora, tenho o sonho de competir ao mais alto nível possível e conquistar títulos. Enquanto sentir que posso melhorar e dar mais dentro de campo, vou continuar a trabalhar diariamente para evoluir e alcançar esses objetivos.

- Como jogadora do Estrela, até onde acredita que pode chegar o potencial do clube no feminino?

- Acredito que o clube tem muito potencial e que, com os resultados atingidos na última época, demonstrámos que é possível crescer e consolidar o projeto. É importante continuar a apostar na equipa sénior feminina e, quem sabe, no futuro também desenvolver a formação. Se continuarmos a evoluir de forma consistente, acredito que o Estrela da Amadora pode afirmar-se cada vez mais no futebol feminino português e lutar por objetivos ambiciosos.

- Além de jogadora, é licenciada em Reabilitação Psicomotora. Em que aspetos a tua formação a auxilia na carreira desportiva? É-lhe muito difícil conciliar as duas realidades?

- A minha formação em Reabilitação Psicomotora tem-me ajudado bastante na minha carreira desportiva. Ser psicomotricista exige resiliência, capacidade de adaptação e persistência, características que também são fundamentais no futebol. Tal como na minha profissão, no futebol é importante nunca desistir, saber lidar com os desafios e procurar constantemente soluções para ultrapassar as dificuldades. Atualmente, trabalho como técnica de Orientação e Mobilidade com pessoas com deficiência visual, ajudando-as a aprender percursos, técnicas de guia e a utilizar a bengala de forma autónoma. Paralelamente, também dou sessões de Psicomotricidade a crianças.

- É-lhe muito difícil conciliar as duas realidades?

- Conciliar a vida profissional com a carreira desportiva nem sempre é fácil e exige uma boa gestão do tempo e alguns sacrifícios. No entanto, considero que as duas áreas se complementam muito bem. O trabalho que desenvolvo enquanto psicomotricista enriquece-me enquanto atleta, e o futebol também me torna uma melhor profissional, transmitindo-me diariamente valores como a disciplina, o espírito de equipa e a superação.

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