
A Câmara Municipal da Amadora confirmou que a Polícia Judiciária (PJ) esteve a fazer buscas nas suas instalações, sublinhando que “não é, enquanto instituição”, visada por qualquer investigação em curso.
“Na sequência das diligências hoje realizadas pelas autoridades competentes, confirma-se que a Polícia Judiciária está hoje nas instalações da Câmara Municipal da Amadora a realizar diligências”, pode ler-se numa nota da autarquia, liderada pelo socialista Vítor Ferreira.
De acordo com o comunicado, a câmara “não é, enquanto instituição, visada por qualquer investigação em curso”, adiantando que se encontra “totalmente disponível para colaborar com as autoridades, no sentido de assegurar o normal decurso das investigações, com temperança, tranquilidade, responsabilidade e no respeito integral pelos princípios do Estado de direito”.
A PJ realizou hoje várias buscas relacionadas com uma operação que decorreu em Lisboa, Mafra, Oeiras e Coimbra, envolvendo a adjudicação de contratos por parte de câmaras municipais e juntas de freguesia, e das quais resultaram cinco detenções.
Quatro pessoas foram detidas por suspeitas de crimes económico-financeiros e uma quinta em flagrante por posse ilegal de arma. Foram ainda constituídos 37 arguidos.
Em causa está a prática dos crimes de prevaricação e participação económica em negócio, envolvendo a adjudicação de diversos contratos por parte de câmaras municipais e juntas de freguesia.
Na nota, a PJ diz que na base da operação estão “procedimentos de ajuste direto ou de consulta prévia, em clara violação das normas legais aplicáveis e com evidente prejuízo para o erário público”.
Em Lisboa, a investigação teve como epicentro a Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, anteriormente liderada pelo socialista Miguel Coelho, que entretanto suspendeu o mandato de deputado à Assembleia Municipal, dizendo que se defenderá “com a consciência tranquila”.
“Perante as notícias que associam o meu nome às diligências hoje realizadas no âmbito da operação Imergente, decidi suspender, com efeitos imediatos, o meu mandato de deputado municipal à Assembleia Municipal de Lisboa”, afirmou em comunicado.
Segundo a CNN, Duarte Moral, antigo assessor do ex-primeiro-ministro António Costa e também próximo do atual líder do PS, José Luís Carneiro, na gestão da comunicação do partido, é um dos detidos, assim como a sua mulher, Rute Reimão, que terá celebrado contratos com a Junta de Santa Maria Maior, por ajuste direto, na ordem dos 70 mil euros entre 2020 e 2022.
A mulher de Duarte Moral foi técnica superior da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior (responsável operacional pela área cultural), avançou à Lusa fonte do grupo municipal do PS.
Os atos sob suspeita terão sido praticados entre 2016 e 2022.A sede do PS em Lisboa foi também alvo de diligências da PJ, tendo o partido referido que estavam relacionadas “com atividades que são imputadas a um dos seus trabalhadores”.
Lusa