• Sexta-feira, 17 Julho 2026

Aterro da Abrunheira perto do limite

O Aterro Sanitário da Abrunheira, que recebe resíduos dos concelhos de Cascais, Mafra, Oeiras e Sintra, está próximo de atingir o limite da sua capacidade. A infraestrutura, com 21 hectares e capacidade para tratar cerca de 2,445 milhões de metros cúbicos de resíduos, já ultrapassou os 91% de ocupação em fevereiro e deverá esgotar a capacidade no primeiro trimestre de 2027.

A informação consta de uma ata de uma reunião da Associação de Municípios de Cascais, Mafra, Oeiras e Sintra para Tratamento de Resíduos Sólidos (AMTRES), a que o DN tece acesso, onde é deixado o alerta para a pressão crescente sobre o sistema de tratamento de resíduos da região.

Apesar dos avisos feitos ao longo dos últimos anos sobre a necessidade de construir uma nova infraestrutura, o processo continua atrasado. O novo aterro, que estava previsto entrar em funcionamento em 2025, ainda não tem sequer localização definida. Só após a escolha do terreno será possível avançar com o licenciamento e com a Avaliação de Impacto Ambiental.

O alerta voltou a ser reforçado na reunião realizada a 24 de abril, que contou com a presença dos presidentes das câmaras municipais de Oeiras, Isaltino Morais, de Cascais, Nuno Piteira Lopes, de Sintra, Marco Almeida, e de Mafra, Hugo Luís Moreira, além de vereadores, representantes da AMTRES e da Tratolixo, empresa responsável pelo tratamento dos resíduos urbanos destes municípios.

Segundo os responsáveis, a produção de resíduos continua a aumentar. Entre janeiro e abril deste ano registou-se um crescimento de 7% face ao mesmo período de 2025, o equivalente a mais de 200 toneladas adicionais por ano. A situação coloca todo o sistema sob forte pressão, com o Aterro da Abrunheira a ser apontado como o ponto mais crítico.

A infraestrutura deveria ter atingido o fim da sua vida útil no final de 2024, mas medidas de otimização permitiram adiar o esgotamento. Entre essas medidas esteve a substituição de terras de cobertura por resíduos de limpeza triturados, uma solução que permitiu ganhar algum tempo, mas que não resolve o problema de fundo.

Um estudo prévio realizado em 2005 identificou a possibilidade de ampliar o atual complexo da Abrunheira, prolongando a exploração até 2029 ou 2030. Essa ampliação é vista como uma solução temporária para permitir aos municípios avançarem com a construção de um novo aterro, um projeto que poderá representar um investimento próximo dos 200 milhões de euros.

Sem a ampliação do aterro atual, a Tratolixo admite que, a partir de abril de 2027, poderá ser necessário recorrer à exportação de resíduos para outros países, nomeadamente para unidades de tratamento na Flandres ou na Alemanha. O custo estimado desta solução poderá rondar os 40 milhões de euros por ano.

A empresa recorda que já envia atualmente parte dos resíduos para outros sistemas nacionais, assumindo os custos de transporte e tratamento. A maioria destes resíduos é encaminhada para a unidade de valorização energética da Valorsul, na região de Lisboa, que também enfrenta limitações de capacidade.

A Tratolixo alerta ainda que a falta de capacidade não é um problema exclusivo da região: a maioria dos aterros de resíduos urbanos em Portugal deverá atingir o fim da sua vida útil entre 2026 e 2027, aumentando a pressão sobre todo o sistema nacional de gestão de resíduos.

A Tratolixo já avançou com um estudo independente que identificou nove possíveis localizações para a futura infraestrutura. Cinco dos locais estão situados no concelho de Sintra e quatro em Mafra, município que já acolhe atualmente o Aterro da Abrunheira.

Segundo a ata da reunião da AMTRES, o presidente da Câmara Municipal de Sintra, Marco Almeida, manifestou disponibilidade para que o concelho possa receber a nova infraestrutura, que servirá uma população superior a 850 mil pessoas nos quatro municípios abrangidos pelo sistema.

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