
O ciclo de música clássica no Palácio Nacional de Queluz regressa em outubro, que a Parques de Sintra-Monte da Lua assume como forma de dinamizar os monumentos sob a sua gestão e reforçar a vocação como “casas de cultura”.
“Foram ciclos que já existiam e nós quisemos repor e voltar a dar a oportunidade de termos era algo que considerávamos que tinha sido uma perda de oferta”, explicou o presidente da sociedade Parques de Sintra-Monte da Lua (PSML), João Sousa Rego.
As “Noites de Queluz”, entre 08 e 30 de outubro, levam às sumptuosas salas do palácio nacional na periferia de Lisboa cinco concertos protagonizados por artistas de referência internacional e jovens intérpretes, de obras de compositores como Bach, Scarlatti, Vivaldi, Clementi, Beethoven ou Mozart.
“Vamos incentivar e aumentar quer estes ciclos de música, quer as aberturas noturnas dos monumentos, quer outras atividades desenvolvidas em torno dos monumentos e também, neste caso, muito voltadas para o público nacional”, adiantou Sousa Rego.
O responsável da sociedade de capitais públicos que gere os monumentos e jardins históricos de Sintra, numa conversa sobre os planos da empresa, destacou que a abertura regular para visitas noturnas, a partir do próximo ano, permitirá criar “atratividade ao público nacional” e “uma experiência diferenciada”.
Por isso, advogou que “os monumentos têm de se tornar casas de cultura” e também “associados às festas locais”, que “participam na comunidade”, quer com os ciclos de música, quer em eventos públicos que permitam “torná-los parte da comunidade”.
A diversificação da oferta cultural dos monumentos geridos pela PSML, nomeadamente no Palácio Nacional de Sintra, passa assim por uma contínua investigação e novos olhares, como o palácio “da vila” ter sido durante séculos “casa de rainhas”, que ali viveram e administravam o território envolvente, começando por Isabel de Aragão (1270-1336).
Seguiram-se-lhe, como se descreve num opúsculo da PSML, Filipa de Lancastre (1360-1415), Catarina de Áustria (1507-1578), Luísa de Gusmão (1613-1666), Maria I (1734-1816), e Maria Pia (1847-1911), seis mulheres com variadas “maneiras de amar e de reinar”.
Nesse sentido, o apoio à investigação histórica e a novos métodos de museografia visam melhorar os circuitos de visitação e criar novos conteúdos, como no Palácio Nacional da Pena, para que “os visitantes possam conhecer o máximo possível daquilo que chegou até nós” de cada monumento, salientou Sousa Rego.
No final do próximo ano, o presidente da PSML espera poder abrir ao público a capela real do Palácio Nacional de Sintra, após um exaustivo restauro, com a recuperação do antigo teto mudéjar, enquanto também prossegue a reabilitação das coberturas em chumbo do Palácio de Monserrate.
Embora admitindo que a empresa tem levado a cabo intervenções profundas de recuperação do património, suportadas em aturada investigação histórica, Sousa Rego defendeu a aposta na “manutenção patrimonial”, assegurando trabalhos contínuos de conservação de cada monumento, reduzindo-se a necessidade de grandes obras no futuro.
O objetivo passa por “oferecer novos conteúdos e oferecer diferentes formas de visitar os monumentos, intensificar o turismo e a conservação da natureza em parque natural e com uma perspetiva dos turistas que temos atualmente, não de continuar globalmente a crescer”.
Sobre as alterações de trânsito em Sintra, promovidas pela autarquia, condicionando o acesso de viaturas particulares e de autocarros ao centro histórico, o responsável disse ainda estarem “a avaliar os números”, mas “do ponto de vista global”, não têm “um decréscimo de turismo”.
Outra aposta da PSML passa por dinamizar “visitas de conservação da natureza” na área do Parque Natural de Sintra-Cascais, pois a empresa tem sob sua gestão 1.000 hectares do perímetro florestal e o farol do Cabo da Roca.
As visitas à paisagem, de “forma ordenada” e “respeitadora das cargas e da sustentabilidade”, visam atrair “diferentes pessoas com diferentes vivências”, complementando as visitas aos monumentos, e “mais sustentáveis” e “respeitadores do território”.
A PSML é uma empresa de capitais exclusivamente públicos, criada em 2000, no seguimento da classificação pela UNESCO da Paisagem Cultural de Sintra como Património da Humanidade, que gere também o Castelo dos Mouros e o Convento dos Capuchos.