
- Qual o significado do Dia da Mulher?
- O Dia Internacional da Mulher é um dia de celebração, memória e responsabilidade
coletiva. Celebramos a afirmação de todas as mulheres e reconhecemos as
conquistas alcançadas ao longo de gerações na luta pela igualdade de género,
independentemente dos contextos étnicos, culturais, socioeconómicos ou políticos. É
uma data profundamente ligada à história das mulheres que ousaram reivindicar
melhores condições de trabalho, igualdade de direitos civis e o direito ao voto, abrindo
caminho para muitas das liberdades que hoje damos por adquiridas. Este dia é
também um momento de reflexão crítica sobre as desigualdades que ainda persistem.
A discriminação salarial, a sub-representação das mulheres nos espaços de decisão, a
sobrecarga do trabalho de cuidado e a violência de género continuam a marcar a vida
de muitas mulheres. Por isso, o Dia da Mulher não pode ser apenas simbólico, deve
ser um compromisso renovado com políticas públicas justas, com educação para a
igualdade e com uma cultura de respeito e dignidade. Enquanto mulher, filha, mãe e
autarca, vejo este dia como um convite à ação concreta, sobretudo ao nível local, onde
as desigualdades são sentidas de forma mais direta e onde as respostas podem ser
mais humanas e eficazes. Celebrar o Dia da Mulher é reconhecer o caminho feito, mas
sobretudo assumir a responsabilidade de continuar a construir um futuro mais justo
para todas e para todos.
- Qual a sua importância?
- A importância do Dia da Mulher está em nos obrigar a parar e olhar com atenção
para desigualdades que, muitas vezes, se tornaram invisíveis por serem persistentes.
É um dia que reforça a necessidade de políticas públicas justas, de igualdade salarial,
de combate à violência de género, de valorização do trabalho de cuidado e de maior
representatividade das mulheres nos espaços de decisão. Enquanto autarca e cidadã,
vejo este dia como um apelo à responsabilidade de todos, mulheres e homens, na
construção de uma sociedade mais equilibrada e humana.
- Quem é a mulher mais importante da sua vida?
- A mulher mais importante da minha vida é, sem dúvida, a minha Mãe. Foi nela que
aprendi, desde muito cedo, o verdadeiro significado de resiliência, responsabilidade e
dedicação ao outro. Professora do ensino público e de cursos profissionais, construiu
o seu percurso com enorme sentido de missão, tendo dado aulas durante anos em
escolas que ficavam a muitos quilómetros de casa, enfrentando sacrifícios pessoais
em nome da educação e do serviço público. Ao efetivar numa escola do Concelho de
Cascais, já depois de eu ter nascido, continuou a ser um exemplo diário de ética,
compromisso e cuidado com a comunidade. A sua força foi sempre uma força discreta
e firme, daquelas que não procuram reconhecimento, mas deixam verdadeiras marcas
profundas. Nos últimos 30 anos, também a minha madrinha se tornou uma referência
inspiradora na minha vida, por tudo o que me tem ensinado, pela sua forma de estar,
pela sua dedicação e persistência naquilo em que acredita e pela capacidade de
influenciar positivamente quem a rodeia. Ambas representam modelos muito distintos,
mas complementares e fundamentais, de mulheres que transformam realidades pelo
exemplo. Hoje, enquanto mãe, tia, madrinha e autarca, sinto a responsabilidade de
honrar esse legado, não só no meu dia a dia, como no serviço à comunidade. Procuro levar para o exercício da função pública os valores que me foram transmitidos: empatia, justiça, lealdade, proximidade e compromisso com as pessoas. Acredito que é a partir destes exemplos que se constrói uma sociedade mais justa e ainda mais humana.
- Porquê?
- Um mundo melhor constrói-se com educação, igualdade de oportunidades e políticas
públicas que coloquem as pessoas no centro. É essencial investir na conciliação entre
a vida profissional, familiar e pessoal, garantindo respostas de apoio à infância, à
parentalidade e aos cuidadores informais, bem como promover o acesso universal e
de qualidade à educação e à saúde. É igualmente fundamental reforçar o combate a
todas as formas de discriminação e violência, em particular a violência de género,
através da prevenção, da educação para a cidadania e de redes de apoio eficazes e
próximas. A promoção da igualdade salarial, o incentivo à participação das mulheres
nos processos de decisão e a valorização do trabalho, muitas vezes invisível,
desempenhado pelas mulheres são também pilares indispensáveis para uma
sociedade mais justa. Defendo ainda a valorização do poder local como espaço
privilegiado de proximidade e transformação real. Acredito profundamente que as
mudanças mais duradouras começam no território, nas comunidades e nas freguesias,
onde as pessoas se conhecem, se escutam e se cuidam. É nesse contacto direto que
se constroem políticas mais humanas, inclusivas e ajustadas às reais necessidades da
população.
- Qual ou quais as medidas que tomarias para termos um mundo melhor?
- A todas as Mulheres, deixo uma mensagem profunda de reconhecimento, respeito e
coragem. Reconhecimento pelo trabalho tantas vezes invisível, pela persistência e
resiliência diária, pela capacidade extraordinária de cuidar, resistir e liderar, muitas
vezes em simultâneo e em contextos exigentes. Respeito pelos percursos diversos,
pelas lutas individuais e coletivas, e pela força que cada Mulher carrega, mesmo
quando não se sente forte. Coragem para continuarem a ocupar espaços, a fazer ouvir
a sua voz, a exigir igualdade de direitos, dignidade e oportunidades. Coragem para
não aceitarem limites impostos, para se apoiarem mutuamente e para acreditarem no
seu valor, em todas as fases da vida. Nenhuma Mulher deve sentir que está sozinha.
Porque quando uma avança, todas avançamos… Porque Juntas, Criamos o Futuro!