
O Teatro Experimental de Cascais (TEC) apresenta, de 17 a 25 de janeiro, em duas cidades uruguaias, incluindo a capital, Montevideu, a peça “Esperando a Godot/ À Espera de Godot” num espetáculo bilingue, anunciou a companhia.
Estreada em novembro de 2024 no Teatro Experimental de Cascais, a peça tem direção de Flávia Gusmão e será representada dias 17 e 18 de janeiro, no Auditório do Museu de Arte Contemporânea Atchugarry, e nos dias 22 a 25 de janeiro, na sala Zavala Muñiz, no Teatro Solis, em Montevideu, naquela que é a segunda vez que o TEC se apresenta no Uruguai, segundo o comunicado divulgado esta segunda-feira.
Apresentado em português e espanhol, e legendado nesta língua, a apresentação da peça naquele país da América do Sul “cumpre o sonho de Carlos Avilez [encenador fundador do TEC] e do [ator português] Manuel Coelho em pôr em cena um texto maior da dramaturgia contemporânea nos dois países”, acrescenta a nota do TEC.
Na altura da estreia da peça no Teatro Municipal Mirita Casimiro, que conta com protagonistas como o ator, dramaturgo e encenador uruguaio Ivan Solárich, e o ator português Manuel Coelho, a encenadora Flávia Gusmão disse à Lusa que o espetáculo foi criado a partir de duas traduções: uma para português, de José Maria Vieira Mendes, e uma para castelhano, da romancista, poeta e tradutora espanhola Ana Maria Moix (1947-2014).
Na mesma altura, a encenadora acrescentou que o TEC contava apresentar uma primeira representação da peça, no Uruguai, no início de maio de 2025, no âmbito de uma parceria com o Ministério da Cultura daquele país.
A peça do prémio Nobel da Literatura de 1969 "é uma partitura sobre a humanidade e mudou o teatro como [é conhecido] hoje”, nas palavras de Flávia Gusmão.
“Esperando a Godot/ À Espera de Godot” foi a última criação do TEC em 2024, num projeto dos dois protagonistas, já combinada com o fundador e diretor do TEC, Carlos Avilez, para estas mesmas datas.
Com a morte de Carlos Avilez, em novembro de 2023, o TEC decidiu manter a peça na programação convidando Flávia Gusmão para a dirigir.
“É um projeto que me vem parar ao colo dessa forma” e já com algumas indicações desde "a raiz do projeto", afirmou, nomeadamente o facto de ser bilingue.
Outra das indicações era que o papel do Rapaz fosse interpretado por um aluno recém-formado da Escola Profissional de Cascais, também fundada e dirigida por Carlos Avilez até à morte do encenador, e, no caso de a peça sair em digressão, assumido por um recém-formado ou um estudante de uma escola de teatro local na língua natal.
“Esperando a Godot/ À Espera de Godot” é um texto "reconhecido mundialmente como a obra-prima inaugural do teatro do absurdo, farsa metafísica de Samuel Beckett publicada em 1952, em que se fala de tudo e de nada, da humanidade e da falta dela, sempre com a amarga ironia de procurar um sentido para a existência sem o encontrar”, acrescenta a nota do TEC.
No Teatro Municipal Mirita Casimiro, a peça contou com Manuel Coelho (Estragon), Luiz Rizo (Lucky), Tobias Monteiro (Pozzo), Tomás Andrade (Menino) e o ator uruguaio Ivan Solarich, na personagem de Vladimir.
No Uruguai, a personagem do Menino será representada por um aluno uruguaio de uma escola de teatro, escolhido através de 'casting' local.
Esta será a segunda vez que o TEC se encontra em Montevideu, depois de, nos anos 1990, ter apresentado a encenação de Carlos Avilez de “Oração”, de Fernando Arrabal, com Eunice Muñoz e Santos Manuel.
“Esperando a Godot/ À Espera de Godot” tem cenografia e figurinos e adereços de Fernando Alvarez, atual diretor da companhia, desenho de luz de Manuel Abrantes e música de Xullaji.
O apoio ao movimento é de Rui M. Silva, a produção, de Maria Lemos Costa, com a Kajamarca Producciones, no Uruguai.
Lusa