
A reabilitação da capela do Palácio Nacional de Sintra, num investimento de 2,6 milhões de euros, e a fruição pública de 100 hectares da Tapada de Monserrate fazem parte dos planos para este ano da Parques de Sintra.
Em entrevista à agência Lusa, o presidente do conselho de administração da sociedade Parques de Sintra-Monte da Lua (PSML), que gere parques e monumentos sintrenses, salientou que a reabilitação da capela do antigo Paço Real implicou “uma investigação histórica transversal, demorada, e que vai permitir voltar a devolver a capela com o esplendor” que “sempre teve”.
“A intervenção da capela no Palácio Nacional de Sintra começou há muito pouco tempo, este mês, tem um volume de investimento de 2,6 milhões de euros, é um investimento significativo”, afirmou João Sousa Rego.
A capela do monumento no centro histórico da vila, acrescentou, “tem um teto lindíssimo, todo policromado, que foi perdido pelo tempo” e que “foi estudado, identificado, mapeado”.
“Tivemos mesmo que recorrer a investigação histórica internacional, com os nossos parceiros espanhóis, e que, portanto, é uma obra que convido todos a virem visitar, quer em fase de obra, quer depois o resultado final”, referiu, notando que a prática da empresa permite “dar a conhecer” as metodologias de intervenção.
No plano de intervenções deste ano, João Sousa Rego destacou também o investimento em curso “nas fachadas e nas coberturas do Palácio de Monserrate”, que “tinha alguma debilidade nas coberturas”, levando ao objetivo de “evitar perdas patrimoniais”.
A empreitada, num investimento de cerca de três milhões de euros, deve prolongar-se até ao final do primeiro trimestre de 2027, incluindo a recuperação das coberturas e da área da Copa dos Frescos, adjacente à cozinha, sob um dos terraços a sul do histórico edifício.
Outro projeto da PSML, para maio deste ano, reside na abertura “à fruição pública” da Tapada de Monserrate, em frente à entrada principal do parque histórico, para que “possa ser vivida” por visitantes e residentes, adiantou o dirigente.
“Estamos a recuperar zonas de prado para poder ser estadia, vamos criar quatro percursos da natureza, são cerca de 100 hectares que serão abertos ao público com zonas de manutenção, espaços” para “desporto, espaços culturais com educação florestal para crianças e jovens”, explicou.
O espaço, continuou, também contará com “uma loja âncora”, a Alma da Serra, já em funcionamento, que comercializa produtos desenvolvidos da gestão florestal, incluindo o mel.
“O nosso perímetro florestal e os parques e tapadas geridos pela empresa foram bastante afetados pela depressão Martinho e depois pelas tempestades que tiveram lugar no último mês”, admitiu João Sousa Rego, contabilizando mais de 250 mil árvores derrubadas na serra de Sintra no último ano.
As intervenções de emergência acudiram a “quedas de árvores e perigo de deslocamento de encostas e vertentes” e, ao mesmo tempo, as equipas estão a desenvolver uma alteração na organização da empresa para responder aos problemas que se colocam “numa época de alterações climáticas”, cada vez mais frequentes.
“Portanto, tem que haver um equilíbrio entre as nossas ações, que permita, ainda no período de inverno e primavera, a retenção do solo, a decomposição das árvores que caíram, a destruição de algumas delas”, através de máquinas estilhaçadoras, que a empresa adquiriu, e “no princípio da primavera começar a trabalhar nas limpezas florestais e na redução do risco de incêndio”, frisou.
Em relação ao santuário da Peninha, no alto da serra, João Sousa Rego considerou que “será um projeto para o mandato, que terá diferentes fases de restauro”, começando na capela de teto abobadado e azulejos, para “garantir que não tem perda patrimonial”.
Lusa