• Quarta-feira, 4 Fevereiro 2026

Parques de Sintra e WMF iniciam restauro de azulejos do Palácio Nacional da vila

A Parques de Sintra e a World Monuments Fund-Portugal iniciaram a primeira fase de restauro dos azulejos do Palácio Nacional de Sintra, para preservar “um dos conjuntos de azulejaria mais relevantes do património português e europeu”, foi anunciado esta terça-feira.

Em comunicado, a sociedade Parques de Sintra-Monte da Lua (PSML) e a filial portuguesa da organização World Monuments Fund (WMF) indicaram que começou na segunda-feira a primeira fase dos trabalhos de conservação e restauro dos revestimentos azulejares do Palácio Nacional de Sintra, na vila, num projeto que se distingue pela “inovação metodológica” e “mobilização de parceiros técnico-científicos”.

A primeira fase, até julho, “incide sobre o revestimento azulejar das paredes e do pavimento da Sala Árabe, incluindo a sua fonte central, e sobre o pavimento em azulejo da Câmara de D. Afonso VI”, explicaram as entidades, na nota conjunta.

“A seleção destes espaços permite trabalhar, em simultâneo, sobre diferentes tipologias, cronologias e origens, criando um campo de ensaio para respostas técnicas distintas, com a ambição de estabelecer referências sólidas para futuras intervenções no palácio e noutros contextos de caráter semelhante”, referiram.

O envolvimento de especialistas nacionais e internacionais permitirá definir orientações "para intervenções de conservação e restauro de azulejos realizadas ‘in situ’”, no sentido da iniciativa se assumir como “motor de criação de conhecimento, quer pela sistematização de metodologias”, alinhadas com as melhores práticas, quer pela avaliação crítica das opções “em função do comportamento real dos materiais”.

Neste contexto, destaca-se a participação do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), com "estudos laboratoriais, nomeadamente no comportamento futuro dos materiais, permitindo antecipar variações de desempenho ao longo do tempo, incluindo alterações ao nível da tonalização”.

A Escola Profissional de Recuperação do Património de Sintra será outro dos parceiros envolvidos, com três ações de formação com alunos, além do Plano Nacional das Artes, que irá desenvolver um programa educativo, com eventos abertos ao público e atividades com a comunidade escolar do concelho.

A intervenção permitirá ao público acompanhar os trabalhos, em linha com a política “aberto para obras” da PSML, que “aproxima os visitantes dos processos de conservação e torna visível o trabalho especializado que garante a continuidade do património”, salientaram as entidades.

“Este projeto traduz, de forma muito concreta, a ambição do nosso Plano de Desenvolvimento Estratégico em investir na conservação com rigor científico, qualificar equipas e abrir ao público o trabalho invisível que garante que o património chega às próximas gerações em melhores condições”, afirmou João Sousa Rego, presidente do conselho de administração da sociedade, citado na nota.

Numa segunda fase, com duração também estimada de seis meses, até janeiro de 2027, os trabalhos estendem-se “à Gruta dos Banhos, abrangendo revestimentos azulejares, tetos em estuque e arcadas em pedra” do antigo Paço Real.

Segundo a PSML e a WMF-Portugal, que repartem em partes iguais os custos globais do projeto, a primeira fase foi adjudicada por 146.719 euros e a segunda está estimada em cerca de 90.000 euros, sendo que aos valores das obras acrescem os encargos associados à investigação, supervisão científica, formação profissional e comunicação.

O projeto conta com o apoio filantrópico de The Robert W. Wilson Charitable Trust, Friends of Heritage Preservation e Fundação Millennium bcp.

A PSML é uma empresa de capitais exclusivamente públicos, criada em 2000, no seguimento da classificação pela UNESCO da Paisagem Cultural de Sintra como Património da Humanidade, que gere o parque e Palácio Nacional da Pena, os palácios nacionais de Sintra e de Queluz, o Castelo dos Mouros, os jardins e o Palácio de Monserrate e o Convento dos Capuchos.

A filial portuguesa da WMF esteve envolvida em vários projetos de conservação e restauro, entre os quais a Torre de Belém, o claustro e igreja do Mosteiro dos Jerónimos, os jardins do Palácio Nacional de Queluz, a Sé Catedral do Funchal, a Estátua Equestre de D. José I, e os murais de Almada Negreiros nas Gares Marítimas de Lisboa.

Lusa

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