
A Parques de Sintra quer melhorar a visitação do Palácio Nacional de Queluz, através da reformulação do picadeiro para a Escola Portuguesa de Arte Equestre, estando a “reavaliar” o projeto da ponte pedonal sobre o IC19 para a Matinha.
“No Palácio Nacional de Queluz temos uma grande oportunidade. É um palácio único que nos pode apresentar o que é que era a época do século XVIII, os jardins formais, como é que se vivia no século XVIII”, a “sua relação intrínseca entre Portugal e Brasil, através do nascimento e morte de Dom Pedro, de Dona Carlota Joaquina, que também viveu no palácio de Queluz durante muitos anos, e em toda a sua envolvente”, afirmou o presidente da Parques de Sintra-Monte da Lua.
João Sousa Rego, em entrevista à Lusa, reconheceu que o palácio “ainda não tem uma visitação muito expressiva”, mas “as equipas de investigadores históricos residentes” da empresa estão a trabalhar “numa nova forma de apresentar ao público” o monumento.
“Como é que era vivida, ao princípio, a Quinta de Queluz e depois o grande palácio de Queluz que foi construído, e onde se integra a Matinha de Queluz, que neste momento está trespassada pelo IC19 [itinerário complementar que liga Lisboa a Sintra]”, acrescentou.
A antiga mata de caça do palácio, tem beneficiado de “atividade na sua gestão florestal", mas João Sousa Rego adiantou que brevemente a empresa vai “começar a trabalhar” sobre a Matinha e “todas as envolventes do jardim”.
Questionado sobre a projetada ponte pedonal verde sobre o IC19, a ligar a Matinha aos jardins do palácio, o arquiteto de 46 anos recordou a sua anterior ligação à PSML, quando coordenou o projeto Eixo Verde e Azul, que a empresa promoveu em articulação com as câmaras de Amadora, Oeiras e Sintra para a renaturalização da Ribeira do Jamor.
“Estamos nessa fase de reavaliação, quer da ponte sobre o IC19, quer da solução do terreiro do Palácio Nacional de Queluz, um terreiro que se impõe ser vivido pela população”, disse João Sousa Rego, notando que a parceria também com a Câmara Municipal de Sintra já ocorreu com os recentes festejos do fim de ano.
A construção de uma ponte verde sobre o IC19, ligando o palácio de Queluz e a Matinha, foi objeto de um memorando, em 2019, entre a PSML, o município de Sintra e a Infraestruturas de Portugal, num investimento estimado de 4,4 milhões de euros.
Para o dirigente da PSML, a Escola Portuguesa de Arte Equestre permite “fazer uma ligação única ao Palácio Nacional de Queluz”, pois ambos são “projetos culturais do século XVIII”, com “um valor cultural potencial significativo”.
Nesse sentido, a empresa quer “conseguir chegar a mais pessoas”, quer através dos “espetáculos equestres na Ajuda”, mas também em Queluz, criando “um espaço dedicado ao século XVIII, em que estes diferentes valores culturais se possam unir”, com “capacidade de atratividade internacional de novos públicos, nomeadamente” dos “irmãos brasileiros”.
Em relação à estrutura acionista da PSML, detida pela Direção Geral do Tesouro e Finanças, Instituto da Conservação da Natureza e Florestas, Turismo de Portugal e Câmara de Sintra, João Sousa Rego escusou-se a comentar a intenção do município de reforçar a posição na empresa.
“Sou nomeado pela atual estrutura acionista, e […] o meu trabalho no dia-a-dia é encontrar as melhores soluções para proteger e valorizar o património com os parceiros locais”, afirmou, considerando que a relação institucional com a câmara municipal “é muito boa”.
Sobre uma eventual saída do destacamento territorial da GNR das traseiras do Palácio Nacional de Sintra, o responsável referiu que a PSML se dá bem e tem “inúmeras parcerias” com a instituição militar, admitindo estarem “a trabalhar” em soluções conjuntas para “os diferentes organismos da administração pública terem as melhores condições de trabalho”.
“Até nós conseguirmos que nessas melhores condições de trabalho possamos integrar aquele espaço também para visitação, é uma boa oportunidade”, acrescentou.
Lusa