• Quarta-feira, 4 Fevereiro 2026

Inspetor da PJ nega ter tido intenção de atingir alguém em Loures

O inspetor da Polícia Judiciária (PJ) acusado de ter disparado contra um jovem em Loures disse, esta quarta-feira, durante o primeiro dia de julgamento, que agiu por potencial ameaça, tendo admitido não o ter feito da melhor maneira. O Tribunal de Loures, e perante um tribunal de júri, o agora inspetor chefe da PJ assumiu ter disparado enquanto perseguia um grupo de jovens que, segundo a acusação, estaria a espreitar para o seu jardim, mas negou ter tido qualquer intenção de atingir alguém.

"Não agi da melhor maneira", disse o inspetor da PJ quando questionado pela procuradora do Ministério Público sobre se admitia excesso na forma como agiu. "Admito que a minha conduta não tenha sido a mais adequada às circunstâncias. Não teria, certamente, agido desta forma se voltasse a acontecer. Também não agi com retaliação", acrescentou o arguido acusado de dois crimes de ofensas à integridade física qualificada.

O inspetor da PJ negou ainda ter feito sete disparos, tal como consta na acusação, referindo ter disparado quatro ou cinco tiros, e disse não se lembrar de ter feito disparados dentro da pizzaria, momento em que, segundo a acusação do Ministério Público, a vítima foi atingida numa das duas vezes. "Na minha cabeça, tinha sido alvo da tentativa de um crime", sublinhou o inspetor.

De acordo com a acusação a que a Lusa teve acesso, o jovem que foi atingindo pelos dois tiros terá ouvido um cão no interior de um terraço e decidiu espreitar, em conjunto com os seus amigos, colocando as mãos na vedação. A casa em questão pertence ao inspetor da PJ que, alertado pela mulher, terá gritado para que os jovens fossem embora e estes fugiram em direção a uma pizzaria.

Segundo o Ministério Público, o inspetor decidiu seguir os jovens de carro, levando consigo a sua arma de serviço. Depois, "o arguido saiu do interior do veículo, e, em acto contínuo, identificou-se como polícia, exibiu-lhes a sua carteira profissional e ordenou-lhes que ficassem quietos", tendo disparado um tiro para o ar, lê-se na acusação.

Os jovens terão fugido, o inspetor terá disparado, pelo menos, dois tiros em direção ao jovem que foi mais tarde atingido e os dois entraram numa pizzaria. "O arguido efetuou, pelo menos, mais dois disparos na direção" do jovem, tendo o último disparo sido feito a cerca de três metros e atingido a coxa esquerda, acrescenta o Ministério Público.

Já fora da pizzaria, o inspetor fez mais dois disparos - um que atingiu o pé direito do jovem, provocando a sua queda, e outro que embateu no chão. Entre os vários disparos, um homem que se encontrava na rua, a beber café, foi atingido na coxa direita. Para o Ministério Público, tendo em conta que o inspetor da Polícia Judiciária foi também instrutor de tiro e armamento, "competia ao arguido prever como possível poder vir a atingir o corpo de terceiros".

Além disso, o inspetor "agiu com reflexão sobre os meios empregues, com o propósito concretizado de molestar o seu corpo e a sua saúde [do jovem], defende o MP na acusação deduzida em 2022, acrescentando que o inspetor "atingiu os deveres e obrigações decorrentes do seu cargo público e estatuto profissional decorrente das funções de inspetor da PJ".

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