• Sexta-feira, 10 Julho 2026

Jorge Jesus: “O Cris nunca vai ser um problema”

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Está confirmado! Jorge Jesus, 71 anos, é o novo selecionador nacional. A formalidade aconteceu esta sexta-feira na sede da Federação Portuguesa de Futebol na Cidade de Futebol. Jorge Jesus chega para suceder a Roberto Martínez e assinou um contrato válido até 2030. O primeiro compromisso é frente ao País de Gales no dia 24 de setembro em jogo a contar para Liga das Nações.

- Acredita que este é o momento ideal para chegar à Seleção Nacional?

- Bom, viemos para vencer, onde chego é para vencer. Nesta casa igual. Gosto de assumir a responsabilidade. Estou habituado a essa pressão. Estamos preparados para começar a traçar o nosso caminho. A minha idade, o número é 71 anos, mas sinto-me com 50. Todos os dias posso treinar uma ou duas horas. Estou preparado para ter um desafio difícil, mas convencido que posso vencer.

- Vai ser complicado gerir os egos no balneário?

- Ego há em todas as seleções… É muito mais difícil trabalhar com jogadores que julgam que são grandes jogadores do que com aqueles que são mesmo grandes jogadores. É o caso da nossa seleção, mas o mais importante é conquistar títulos na seleção. E todos, eu incluído, vamos fazer por isso. 

- Qual é o jogador da seleção que não gostava de perder?

- Não vou perder nenhum, só se o Cristiano se lesionar... Destes 26 que estavam na seleção, 12 já trabalharam comigo. A seleção tem grande qualidade. Acredito em todos. Vão aparecer novos jogadores nestes quatro anos, a nossa formação tem muita qualidade...Renovação na seleção? Neste momento, não. Reparem numa coisa, desta seleção, só seis jogadores têm acima de 30 anos. É uma equipa com média de idades de 28 anos - o melhor período. Não é por aí que a seleção vai ter problemas. 

- Já falou com Cristiano Ronaldo?

- Não, ainda não falei com o Cristiano. O Cris nunca vai ser um problema. Nem para a seleção, nem para mim. Aquilo que o Cris é como jogador, e a polémica que houve à volta dele, cada um pensa como quiser. Quando tiver de tomar alguma decisão, eu vou falar com ele, mas é claro que não é só com ele. Vou falar com todos individualmente. Não vou falar com o Cris por ser o Cris. O Cris é um símbolo da seleção e de Portugal. Isso vai ficar sempre na história e tive o grande prazer de trabalhar com ele. É fácil trabalhar com ele. Desde que eu perceba até onde posso chegar. Vamos uma conversa os dois... Sei que ele quer continuar a jogar no Al Nassr. Como todos, a partir do momento em que esteja a jogar e possa ser selecionado, eu o farei, dentro dos limites e condições que eu achar melhor para a seleção. 

- (…)

- O Cris trabalhou um ano comigo. Não teve uma lesão. Comigo fazia oito quilómetros por jogo, um ponta de lança. É muito bom. Com velocidade acima dos 25km/h. O Cris tinha dados de poder contar com ele. E quando achava que não tinha de jogar, não jogava. Nem o levava. Nem para o banco ia. O jogo é que dita. Não posso ter a certeza... O importante é o rendimento. Se não está a render, seja o jogador que é, se tiver de ser substituído é. O nome não conta. Já trabalhei dois dos melhores jogadores do mundo, falta-me o terceiro, que já não vou treinar, que é o Messi. Já treinei o Cris e o Neymar. Ao Neymar, um dia disse-lhe: 'Tu, finish, ok?'. Aquilo que eu achar melhor para a seleção, é assim que será feito". 

- Chegou a falar com Pepe?

- Nunca falei com o Pepe. Se o Pepe é um nome que me poderia agradar, é. Quando cheguei ao Benfica, na minha segunda passagem, fui buscar o Luisão. Quando cheguei à Arábia Saudita, fui buscar um antigo jogador para fazer parte da equipa técnica. O Pepe é um jogador que reúne todas as condições, mas o último decidir é ele. Virá outro... 

- Maior desafio da carreira?

- Preparei-me para este dia. Preparei-me para ser selecionador da nossa seleção. Estou preparado para isso. Nada para mim vai ser muito diferente do que é trabalhar numa seleção ou num clube". 

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