
A presidente da ULS Amadora-Sintra afirmou hoje que a reorganização da urgência é “um objetivo ambicioso” que passa pelo reforço da articulação entre os cuidados de saúde primários, SNS 24 e Hospital de Sintra, evitando urgências desnecessárias.
Sandra Cavaca assumiu funções há um mês e foi ouvida hoje na Comissão de Saúde da Assembleia da República, a pedido da Iniciativa Liberal, na sequência da sua designação para o cargo.
A responsável falou sobre os problemas que encontrou, entre os quais a pressão sobre o serviço de urgência.
“Quando chegámos à ULS encontrámos uma urgência com um diretor de urgência demissionário, que nem tive o prazer de conhecer, porque saiu entretanto, e com a saída de 11 profissionais. E portanto, se já éramos poucos, ficámos ainda mais depauperados”, afirmou.
Questionada sobre se já tomou medidas concretas para aliviar a urgência, Sandra Cavaca adiantou que aumentou de 65 para 90 as camas sociais em lares, retirando os utentes deste serviço.
Foi também criada “uma comissão de urgência" para gerir o serviço até se conseguir estabilizar a prestação da urgência e atrair mais médicos, entre os quais alguns dos que saíram da instituição.
Segundo a responsável, a ULS está também em contacto com algumas empresas prestadoras de serviço para ter “médicos tarefeiros” regulares e não ‘ad hoc’ para prestar melhores cuidados.
Em paralelo, estão a ser analisados os circuitos dos doentes triados com pulseiras verdes e azuis, os casos menos urgentes, para os retirar da urgência. “Estamos a ver, neste momento, quais são os locais onde poderemos abrir num espaço curto de tempo, os chamados Centros de Atendimento Complementar”, um dos quais será no Hospital Amadora Sintra que tem “boas instalações”, mas será necessário outro na Amadora, revelou.
Estas medidas fazem parte de um plano mais amplo de reorganização da urgência, “que não pode ser vista como um polo isolado”, disse, salientando a necessidade de articulação com os cuidados de saúde primários.
Reconheceu, contudo, que há cerca de 190 mil utentes sem médico de família, uma situação que também não é apelativa à contratação de profissionais.
A nova presidente da ULS Amadora-Sintra explicou que a reorganização passa por tentar reconstituir portas de entrada, usando o Hospital de Sintra para atrair profissionais, mas inserido num projeto estratégico que já foi delineado.
“Não vale começar do zero, porque se começarmos do zero não fazemos nada e os problemas surgem e o inverno estará, com certeza, à porta”, comentou.
Sandra Cavaca adiantou que a ULS está a tentar atrair profissionais com um projeto novo que passará por um plano de transformação do próprio hospital, que inclui a construção de um edifício.
O objetivo é aumentar o número de camas e melhorar os rácios em relação aos padrões nacionais e internacionais, num projeto para os próximos três anos.
A presidente destacou a necessidade de boas condições de trabalho para fixar profissionais, que vão além do salário, com horários flexíveis, teleconsulta e um centro de atendimento complementar, medidas que ajudarão a reduzir a pressão sobre as urgências e integrar cuidados primários.
A administradora lembrou que a ULS Amadora-Sintra atende uma população de cerca de 600 mil habitantes, quando o hospital foi pensado para atender 200 mil, o que exige soluções diferenciadas.
Referiu que a instituição está a trabalhar para atrair profissionais com um projeto estruturado, envolvendo os autarcas e apresentando o plano em abril, para receber contributos antes de submeter candidaturas.
O plano inclui ainda a construção de três centros de saúde na Amadora e mais três ou quatro em Sintra, reforçando a rede local de cuidados e tornando a unidade mais atrativa para médicos, enfermeiros e técnicos.
Lusa