
ACRD Cabeçudo, clube da 1.ª Divisão da Associação de Futebol de Castelo Branco, trocou a bola pela motosserra com a missão de atacar a Depressão Kristin. Os jogadores albicastrense respiraram fundo, vestiram o fato macaco e ajudaram a limpar estradas obstruídas por dezenas de árvores no interior de Portugal. O LOCAL falou com um dos craques do clube que passou pelo Estoril-Praia. Com alcunha de Coreano, Rodrigo Sebastião chegou esta época a Cabeçudo e já assumiu papel determinante no desempenho da equipa com um vistoso cartão-de-visita de dez golos e três assistências em 17 jogos.
Já na temporada passada esteve em plano de destaque no Vizela ao marcar 11 golos e feito dez assistências em 28 jogos mas ao contrário do esperado não foi aposta para esta temporada. O Coreano de Almada destapou o sentimento que lhe vai na alma e não tem dúvida que “esta vai ser a sua época de afirmação”.

- Como classifica esta ideia do clube em ajudar a combater a Depressão Kristin?
- Foi uma iniciativa muito boa, extraordinária. A nossa aldeia ficou bastante destruída e acho que o fato de verem os jogadores do próprio clube a ajudar, também deu força às pessoas para reerguer a aldeia. São pessoas extraordinárias!
- Correu tudo bem?
- Sim, correu tudo bem. Conseguimos desimpedir alguns caminhos e, principalmente, ajudar pessoas que não conseguiam sair das próprias casas.
- Ninguém se aleijou?
- Felizmente, ninguém se magoou e todos demos o contributo para que a situação melhorasse.
- Como foi lidar com uma motosserra? “Safou-se”?
- Não sabia, mas tinha uma pequena ideia, safei-me bem… Tivemos pessoas incríveis, como o Celito, o Marco e os Bombeiros Voluntários de Cernache do Bonjardim, que nos ajudaram em tudo o que foi preciso.
- E à noite? Conseguiu descansar ou ficou todo “partido”?
- Posso dizer que foi uma noite sem sono. Não consegui dormir durante a noite inteira, mas isso é o menos mau no meio de tudo o que se estava a passar lá fora.
- Os adeptos do clube apoiaram a iniciativa?
- Sim, claro que sim. Os nossos adeptos do clube, que são maioritariamente pessoas da aldeia, não só apoiaram como também saíram à rua para ajudar quem mais precisava. Esse é o verdadeiro espírito das gentes do Cabeçudo.
- Quantos dias estiveram na operação?
- Nós, jogadores, estivemos desde a noite da tempestade até sexta-feira, mas a aldeia ainda não está a 100%. Tanto que ainda que só há luz com recurso a geradores.

- Treinaram nestes últimos dias?
- Não. Antes do jogo, a última vez que treinámos foi na terça-feira. Depois disso vimos o nosso próprio campo destruído, o que nos impossibilitou de treinar nos restantes dias. Acabámos por treinar apenas na manhã de domingo, antes do jogo com o Sertanense.
- Como lhe está a correr a temporada?
- A temporada está a correr-me bem. Tenho feito bons jogos e tido influência na equipa. Os números falam por si e é continuar a trabalhar para ajudar a equipa da melhor forma possível.
- Quais são os números?
- Marquei dez golos e tenho quatro assistências…
- Está longe de casa… como é viver a experiência a nível de relações humanas?
- A experiência de estar fora de casa não podia estar a ser melhor. Cabeçudo é uma aldeia que sabe acolher e comigo não foi diferente. Estou muito feliz e grato por me receberem tão bem.

- É extremo mas ainda assim o melhor marcador da equipa com dez golos esta temporada. Como se define? Um goleador?
- Bom, não me considero propriamente um goleador, apesar de gostar muito de marcar golos, claro. Sou um extremo que procura ser decisivo: no um para um, na criação de desequilíbrios, a atacar a profundidade e a aparecer bem em zonas de finalização. Valorizo muito o jogo coletivo, as assistências e o trabalho sem bola. Defino-me como um jogador de equipa e com ambição de evoluir.
- Expetativas para esta temporada, subida?
- O nosso objetivo é potenciar jovens. O Mister Bruno Vieira não nos pôs pressão nenhuma para subir e acho que esse é o segredo para a época nos estar a correr tão bem. Estamos a surpreender e esperamos fazer o máximo de pontos possível.
- Expetativas para futuro no campo desportivo?
-O futuro só o trabalho dirá. Sou jovem, sei que trabalho muito e tenho o sonho de chegar ao mais alto nível. Sou muito ambicioso e não desisto facilmente daquilo que coloco na cabeça.
- Quais as expetativas para esta seleção de Castelo Branco?
- Depois de uma boa primeira fase, o nosso objetivo é chegar à fase final, fazendo aquilo que melhor sabemos. Esperamos dar uma ótima resposta e conseguir chegar à final.
- O Cabeçudo tem mais jogadores na seleção?
- Sim, somos três: eu, o Milan Nadör e o Vicente Abrantes. Estamos muito empenhados em ajudar a seleção.