• Quarta-feira, 8 Abril 2026

Filme sobre Salazar integra Festival de Cinema IndieLisboa

João Botelho leva ao IndieLisboa o filme "O Velho Salazar" DR

Um filme sobre Salazar, uma animação sobre Gisberta, um retrato de um teatro nacional e outro sobre mulheres de Abril são alguns dos filmes portugueses do 23.º Festival Internacional de Cinema IndieLisboa. A programação completa foi, esta quarta-feira, divulgada, com o IndieLisboa a arrancar no próximo dia 30 com a produção austríaca "The Loneliest Man in Town", de Rainer Frimmel e Tizza Covi, já exibida no festival de Berlim, sobre um músico à beira do esquecimento, ameaçado pela demolição da casa e das memórias nela contidas.

A competição portuguesa é feita de quase trinta filmes em estreia nacional e mundial, como por exemplo as longas-metragens "18 Buracos para o Paraíso", de João Nuno Pinto, "A Providência e a Guitarra", de João Nicolau, e "Fordlândia Panacea", de Susana de Sousa Dias, que já passaram por outros festivais.

Estreia mundial da curta-metragem

Vai acontecer ainda a estreia mundial da curta-metragem "Dois e um gato", a título póstumo, da realizadora e montadora Patrícia Saramago, que morreu em 2025, e da longa "Cochena", de Diogo Allen, filme sobre "os gestos primordiais e do quotidiano de uma família cigana".

Fora de competição, mas dentro das propostas de cinema português, apresenta-se "Auto da Casa", filme de Tiago Bartolomeu Costa e Joana Cunha Ferreira, sobre o Teatro Nacional D. Maria II, assim como "Mulheres de Abril", de Raquel Freire, sobre as mulheres "que venceram o fascismo, o colonialismo, as desigualdades sociais em Portugal e nos territórios africanos ocupados e transformaram o mundo à sua volta".

Salazar depois de Cunhal

João Botelho leva ao IndieLisboa o filme "O Velho Salazar", onde "surgem as figuras da governanta, do cardeal, do ministro da propaganda, do enfermeiro e do calista que, através das suas memórias, contarão histórias que todos julgávamos não estarem esquecidas" sobre o rosto do Estado Novo, afirmou o realizador citado pelo IndieLisboa.

"Nos 50 anos do 25 de Abril [de 1974] fiz um documentário sobre Álvaro Cunhal. Agora, nos 100 anos da revolução militar de 1926, pareceu-me justo fazer um documentário sobre Salazar. Funcionará como um díptico", explicou. No programa dedicado a "Novíssimos" filmes do cinema português figura a animação "A culpa é da água", de Ana Leonor Guia, Marta Quintanito Roberto, Ruben Pinto e Tiago Magalhães, sobre Gisberta Salce, mulher trans brasileira assassinada em 2006, no Porto.

Fora de competição, o IndieLisboa vai acolher dezenas de filmes, como "Le cris de Gardes", um regresso de Claire Denis ao festival, com uma adaptação da peça "Combate de Negro e de Cães", de Bernard-Marie Koltès, "At Work", de Valérie Donzelli, e "Dracula", de Radu Jude.

Anteriormente, o festival tinha já anunciado uma retrospetiva, em parceria com a Cinemateca Portuguesa, dedicada ao 'mockumentary', ou o falso documentário, um género "que persegue a intersecção realidade-ficção, que está dentro e fora, que dança com as limitações e possibilidades do cinema".Foram escolhidos filmes de Rob Reiner, Woody Allen, Ruben Ostlund, Sergio Oskman e Damien Houser.

Na secção IndieMusic vão estar, entre outros, "Quem tem medo de Zurita de Oliveira?", documentário de Francisca Marvão sobre uma das mulheres pioneiras do rock português, "Rua (Isto não é um filme, é um cometa)", de João Bigos Campaniço, em torno do músico vanguardista Vítor Rua, e "Percursos Alternativos - Ecos de Garagem: o Rock em Viseu nos anos 80 e 90", de Rui Mota Pinto.

O encerramento do IndieLisboa, a 10 de maio, será com a estreia nacional de "The History of Concrete", de John Wilson, que faz do betão a matéria-prima da sua primeira longa-metragem documental.

A 23.ª edição do Festival Internacional de Cinema IndieLisboa terá sessões na Culturgest, Cinema São Jorge, Cinemateca Portuguesa, Cinema Fernando Lopes, Cinema Ideal e Piscina Municipal da Penha de França.

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