
A Câmara de Mafra está a apostar na programação cultural do auditório Beatriz Costa, pela primeira vez alargada a vários espaços culturais do concelho, depois de ter obtido um financiamento de 1,2 milhões de euros da Direção-Geral das Artes.
A programação cultural para os próximos quatro anos contempla cerca de duas centenas de espetáculos e exibições, entre os quais 60 concertos de música, 24 peças de teatro, 14 espetáculos de dança, uma centena de sessões de cinema e 21 residências artísticas, foi hoje divulgado em nota de imprensa.
Estão ainda previstas 123 ações de mediação e serviço educativo, que englobam 90 espetáculos para escolas e famílias, 15 projetos de capacitação, 12 iniciativas de envolvimento comunitário e seis festivais multidisciplinares destinados a aproximar a arte de novos públicos.
A agenda disponibilizada até ao final deste ano arranca na quinta-feira com o espetáculo Moura, de Pedro e Bruna de Moura que, entre cordas da guitarra portuguesa e do violoncelo e texturas eletrónicas, prometem um espetáculo de experimentação e de reinvenção da música tradicional.
Destacam-se ainda os concertos do guitarrista e compositor Tó Trips (sexta-feira), de Rui Fernandes dedicado à viola amarantina, o concerto d’O Gajo (sábado) e de Pedro Caldeira Cabral e Duncan Fox (domingo), o espetáculo de dança do coreógrafo Marco da Silva Ferreira (01 novembro), o concerto de Romeu Bairros (04) e a ópera "Graffiti", da Companhia de Ópera e Artes Contemporâneas AREPO e do compositor Luís Soldado (dia 15).
A candidatura apresentada pelo Município de Mafra prevê um “forte reforço da atividade do equipamento nas áreas da programação artística, residências, mediação cultural e serviço educativo”, o que "permitirá consolidar uma oferta mais regular e diversificada”.
O novo ciclo sucede à requalificação do Auditório Municipal Beatriz Costa, concluída em outubro de 2024.
“O novo ciclo de programação traduz uma ambição clara: dar maior continuidade à atividade deste espaço, apoiar a criação artística e aprofundar a relação com a comunidade. Queremos que os artistas encontrem aqui condições para apresentar o seu trabalho e também para criar, experimentar e partilhar os seus processos”, disse Hugo Moreira Luís, presidente da câmara, citado na mesma nota de imprensa.
Com a descentralização da programação cultural e a realização de eventos em espaços que não são culturais, como igrejas, jardins ou miradouros, o município pretende “levar a cultura cada vez mais perto das pessoas”.
Inaugurado em janeiro de 1993, o Auditório Municipal Beatriz Costa sucedeu ao antigo Cineteatro de Mafra e foi criado como um espaço dedicado às artes performativas e à dinamização cultural do concelho.
A designação homenageia uma das figuras mais emblemáticas do teatro de revista e do cinema português do século XX, Beatriz Costa, que nasceu e passou os primeiros anos da sua infância no concelho.