• Terça-feira, 29 Setembro 2026

Svetlana Alexievich vai participar nas residências literárias de Cascais em outubro

A escritora bielorrussa Svetlana Alexievich, Prémio Nobel da Literatura de 2015, vai estar em Cascais para participar no Programa de Residências Internacionais de Escrita Fundação Dom Luís I, entre os dias 01 e 22 de outubro, foi anunciado esta terça-feira.

A autora estará acompanhada pela sua assistente literária, Tatyana Loznitsa, acrescenta a Fundação Dom Luís I em comunicado, que organiza este programa em colaboração com a Câmara Municipal de Cascais, sob a coordenação da escritora e crítica literária Filipa Melo.

Realizadas exclusivamente por convite, as residências internacionais de escrita da Fundação Dom Luís I, oferecem a um autor-residente condições de alojamento e um espaço para criação na vila de Cascais, durante um a dois meses.

Inauguradas com Olivier Rolin, em 2018, estas residências internacionais acolheram até à data Michael Cunningham, Jonathan Coe, Javier Cercas, Nara Vidal, Sandro Veronesi, Noura Erakat, Leïla Slimani, András Petőcz, Anne Akrich, Velibor Čolić e Will Eaves, entre outros.

Para os organizadores, a presença de Svetlana Alexievich em Cascais adquire um significado especial num ano em que a vila é a Capital Europeia da Democracia 2026, na medida em que “a sua obra, construída a partir de centenas de testemunhos individuais, tornou audíveis vozes frequentemente apagadas pela propaganda, pela violência e pela história oficial”.

“Ao transformar essas vozes numa literatura de memória e de consciência, Svetlana Alexievich interrogou a capacidade das sociedades para converter o sofrimento em liberdade e para resistir ao medo e à submissão”, acrescenta a Fundação Dom Luís, em comunicado.

Em 2015, ao atribuir-lhe o Prémio Nobel da Literatura, a Academia Sueca distinguiu “as suas obras polifónicas, um monumento ao sofrimento e à coragem no nosso tempo”.

Ao longo de décadas, a escritora documentou as experiências de pessoas comuns perante a Segunda Guerra Mundial, a guerra soviética no Afeganistão e a catástrofe de Chernobyl.

Entre as suas obras publicadas em português encontram-se “A guerra não tem rosto de mulher”, “Rapazes de zinco”, “Vozes de Chernobyl: história de um desastre nuclear” e “O fim do homem soviético”.

Para Svetlana Alexievich, a defesa da liberdade não é apenas um tema literário, mas também cívico, já que após as eleições bielorrussas de 2020, amplamente consideradas fraudulentas, participou no Conselho de Coordenação criado para preparar novas eleições e uma transição pacífica de poder.

A repressão dos protestos e a perseguição aos membros do conselho obrigaram-na a deixar a Bielorrússia, e a escritora vive desde então em Berlim.

A Fundação Dom Luís I assinala ainda que este programa de residências é reconhecido internacionalmente e “distingue-se por hospedar autores consagrados de todos os géneros e de todo o mundo, proporcionando-lhes um ambiente de refúgio propício ao trabalho e uma relação privilegiada com Portugal e a cultura portuguesa”.

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