
A Assembleia Municipal de Mafra e vários cidadãos residentes em Alcainça opuseram-se ao alargamento por três anos do aterro da Abrunheira, naquela freguesia do concelho.
A Assembleia Municipal chumbou a proposta da câmara municipal de dar interesse público à ampliação por três anos do período de funcionamento do aterro da empresa intermunicipal Tratolixo, na Abrunheira.
Na mesma sessão, realizada na noite de quinta-feira, o presidente da câmara, o independente Hugo Moreira Luís, explicou que a Tratolixo deliberou já em 2022 estender por mais três anos a vida útil do aterro, que estava previsto encerrar em 2027.
Segundo o autarca independente, “nos últimos 20 anos, os autarcas nada decidiram” sobre uma solução a longo prazo e, em julho deste ano, já depois das últimas eleições autárquicas de 12 de outubro de 2025, o atual presidente da câmara de Sintra “assumiu o compromisso de construir no seu concelho um novo aterro”.
“Até à sua conclusão e dada a vida finita do aterro da Abrunheira”, os atuais autarcas decidiram pela ampliação deste por mais três anos, explicou.
No período de intervenção do público, uma petição subscrita por 1.198 cidadãos foi entregue à mesa da Assembleia Municipal contra a ampliação temporal do aterro.
“Não podemos aceitar a extensão até 2030 quando quem lá mora nos arredores já sofre diariamente com os cheiros e outros efeitos do aterro”, afirmou Jorge Silva, residente na localidade de Alcainça em representação dos peticionários.
Vários cidadãos residentes na localidade manifestaram-se contra o prolongamento da infraestrutura, como foi o caso de Carla Inverno.
“A nossa qualidade de vida tem diminuído nos últimos 10 anos com o aterro. O cheiro é nauseabundo, o ar irrespirável e pesado e, em muitos dias, nem roupa podemos estender. Nos dias de calor, estamos impedidos de abrir janelas, não podemos arejar as nossas casas”, descreveu.
A presidente da União de Freguesias da Malveira e São Miguel de Alcainça, Carla Galrão, referiu que os impactos atuais e futuros do aterro preocupam a população e demonstrou estar ao seu lado.
A autarca pediu estudos que justifiquem a necessidade de manutenção do aterro, quando “a população é obrigada a conviver durante anos com os seus efeitos, nomeadamente os odores, e não concorda com o prolongamento da infraestrutura”.
A freguesia pediu que seja definida uma nova localização para responder aos problemas e à capacidade futura de deposição de resíduos.
A Tratolixo é uma empresa constituída pelos municípios de Cascais, Mafra, Oeiras e Sintra, no distrito de Lisboa.