
O compositor e pianista António Pinho Vargas é homenageado no II Festival Internacional de Jazz de Oeiras, que decorre de 18 a 28 de fevereiro no Auditório Ruy de Carvalho, em Carnaxide, Oeiras, disse à Lusa a organização.
A edição deste ano tem mais concertos que a do ano passado, que “foi um sucesso”, segundo Sérgio Machado, que garante a direção artística do festival, com Márcia Lessa.
“As Folhas Novas Mudam de Cor”, nome de um dos seus álbuns de jazz, é também título do concerto em torno da obra jazzística do compositor de "Dança dos Pássaros" e "O Movimento Parado das Árvores", no dia 26 de fevereiro.
Pinho Vargas vai interpretar alguns dos seus temas ao piano, na segunda parte do concerto, e, na segunda, haverá “a possibilidade de a [sua] obra ser revisitada por músicos de outras gerações”, nomeadamente um quarteto constituído pelo saxofonista José Soares, o pianista Miguel Meirinhos, o contrabaixista Hugo Carvalhais e o baterista Mário Barreiros, que há muitos anos tocou com António Pinho Vargas.
“Este quarteto vai mostrar até que ponto as folhas novas mudam ou não de cor”, disse Sérgio Machado à Lusa.
“O grande motor deste Festival é a Câmara de Oeiras”, afirmou o diretor artístico, apontando para uma “consistência” que permita o certame tornar-se numa referência na programação cultural do concelho vizinho de Lisboa.
“A ideia é estabilizarmos este formato, para ser seguido nos próximos anos”, afirmou.
Nesta perspetiva, na atual edição foram introduzidas duas novas linhas, uma de criação de públicos, com um concerto comentado para famílias, e outra, mais pedagógica, com uma 'masterclass' pelo saxofonista e compositor norte-americano David Binney, no dia 20 de fevereiro.
Binney sobe ao palco do Auditório Ruy de Carvalho, no dia seguinte, com o trio de João Barradas para tocarem o álbum “Aperture”, editado em novembro passado. Ao acordeonista juntam-se Bruno Pedroso, na bateria, e André Rosinha, no contrabaixo.
Este disco - resultado de uma residência artística efetuada na Casa da Música, no Porto – é apresentado ao vivo pela primeira vez.
“A Idade do Jazz” é o título do concerto para famílias, orientado pela narração da atriz Isabel Ruth, com um texto de Márcia Lessa, numa recriação de um clube de jazz dos anos de 1920, com uma 'jazz-band' sob a direção do guitarrista Bruno Santos, constituída por Margarida Campelo (voz e piano), Zé Maria (saxofone), Romeu Tristão (contrabaixo) e João Ribeiro (voz e bateria).
O espetáculo, que inclui um par de bailarinos, procura contar a história do jazz do último século.
Um dos objetivos do festival é pôr músicos nacionais a liderar formações internacionais.
“Nas formações que contam com músicos internacionais temos a liderar músicos portugueses ou que vivam em Portugal. Não há aqui nenhuma questão nacionalista, antes pelo contrário, a questão é mesmo reforçar a diversidade e a vitalidade da música jazz feita em Portugal, mas também no diálogo permanente com músicos de outras origens e latitudes, de outras geografias”, argumentou.
“A ideia é, em vez de estarmos a convidar apenas formações internacionais, propiciar essa mistura, mas dando algum destaque aos músicos nacionais”, reforçou Machado.
O sexteto Mosaïc, com uma origem geográfica predominantemente mediterrânica, estreia-se em Portugal, encerrando o festival, no dia 28, propondo um cruzamento entre o jazz e a música do Mar Mediterrâneo, de forma alargada incluindo Portugal e a Bulgária.
O combo é composto pelos músicos portugueses Diogo Alexandre, no contrabaixo, Zé Alberto, na bateria, o búlgaro Georgi Dobrev no kaval (flauta oblíqua tradicional da região dos Balcãs), os franceses Adèle Viret (violoncelo) e Noé Clerc (acordeão) e o tunisino Hamdi Ammoussi, na percussão.
O combo apresenta neste festival o seu próximo álbum, que “sairá em breve”.
Para Sérgio Machado este sexteto “é o melhor testemunho de como a música, a cultura, o jazz, podem ser espaços de diálogo, pontos de encontro e formas de as pessoas estarem juntas”.
O sexteto, disse Machado, traz para o festival algo que pretendem como uma marca: a diversidade e a riqueza culturais.
O saxofonista britânico Andy Sheppard vai também apresentar o seu novo trabalho discográfico, acompanhado por Rita Marcotulli, ao piano, e Michel Benita, no contrabaixo. O concerto está marcado para dia 27 de fevereiro.
Sheppard vive em Portugal há 10 anos e tem trabalhado regularmente com compositores como Carla Bley, George Russel e Gil Evans.
Sérgio Machado referiu-se a este concerto como “um dos pontos altos” do festival.
O Festival abre no dia 18 com as compositoras Sara Dowling (voz e violoncelo) e Clara Lacerda (piano), o contrabaixista Romeu Tristão e o baterista Jorge Rossy, músicos que se conheceram num festival espanhol, na Catalunha, e que neste concerto vão interpretar temas das duas compositoras, marcando a sua estreia nacional.
Não tendo sido intencional na programação, o responsável reconheceu que o festival exprime uma mensagem de “diversidade e convivência em tempos de tanta intolerância”.
Do programa faz ainda parte a atuação da cantora e compositora Rebecca Martin, que atua no dia 19 de fevereiro, acompanhada pelo guitarrista norueguês Lage Lund.
O orçamento do Festival ultrapassa os 40 mil euros, disse o responsável.
No ano passado, os quatro espetáculos do Festival “estiveram sempre esgotados”, tendo assistido um total de 1.200 espectadores. A perspetiva para este ano é ultrapassar os 2.000 espetadores, segundo a mesma fonte.
Lusa