
DR
João Pica assumiu, em outubro passado, a presidência da Junta de Freguesia da Venteira. Casado, pai de dois filhos, grande adepto do Estrela da Amadora e praticante de krav maga, o número 1 da freguesia amadorense falou a’O LOCAL sobre os mais diversos temas, como foram os casos da única vitória social-democrata num concelho de forte implantação socialista, da sua responsabilidade para com os fregueses, da estreia na política aos 16 anos, do desporto na Venteira. Tem a palavra João Pica, filho da terra, filho da Venteira.
- Como analisa a vitória nas eleições autárquicas de outubro?
- Com enorme sentido de responsabilidade e humildade. Não a encaro como uma vitória pessoal, mas sim como a vitória de um projeto coletivo, de proximidade, de trabalho no terreno e de compromisso com as pessoas da freguesia. Os venteirenses foram muito claros: quiseram mudança, quiseram mais presença, mais escuta e mais ação. Este resultado traduz um cansaço face à inércia do passado, mas, sobretudo, uma esperança num futuro diferente, mais transparente, mais justo e mais atento aos problemas reais do dia a dia. É também um voto de confiança exigente. Quem votou em nós espera respostas, resultados e coerência entre o que foi dito e o que será feito. É isso que guia a nossa atuação: servir a Venteira com seriedade, rigor e dedicação total, todos os dias.
- Surpreendido com a vitória?
- Sinceramente, não. Sentia no contacto diário com as pessoas, na rua, nas coletividades e nas conversas informais, que havia uma forte vontade de mudança e um reconhecimento do trabalho e da postura que apresentámos. Naturalmente, qualquer resultado eleitoral merece respeito e nunca pode ser tomado como garantido. Mas a proximidade, a escuta ativa e a presença constante no terreno deram-nos sinais muito claros de que estávamos no caminho certo.
- Sentia-se que a Junta iria mudar de mãos?
- Sim, o resultado acabou por confirmar aquilo que já se sentia na Venteira. O Partido Socialista era sinal de inércia na Venteira, e não só, e confirmou-se nas urnas!
- Qual foi o segredo para esta vitória do PSD em terras do PS?
- Não houve um “segredo” no sentido clássico — houve trabalho, coerência e proximidade. Durante muitos anos a Venteira foi tratada como um território adquirido, e isso afastou as pessoas. O “Amadora Resolve” venceu porque falou com todos, sem rótulos partidários, e porque colocou a freguesia acima das cores políticas. Apresentámos um projeto credível, com propostas concretas e exequíveis, mas sobretudo com uma atitude diferente: estar no terreno, ouvir mais do que falar e assumir compromissos claros. As pessoas perceberam que não estávamos ali apenas para ganhar eleições, mas para mudar a forma de governar a freguesia.
- Qual o significado desta vitória?
- Esta vitória demonstra que, quando há seriedade, trabalho e respeito pela população, não há “terras de ninguém” nem votos garantidos. Há cidadãos livres que escolhem quem lhes merece confiança.

- Como tem corrido a aceitação dos fregueses em relação ao presidente?
- Tem sido muito positiva e muito próxima. No dia a dia sinto uma grande abertura e confiança por parte dos fregueses, o que muito me honra. É fantástico ver que, todos os dias, dezenas de pessoas me abordam na rua para felicitar pelo trabalho que tem vindo a ser feito. Muitos dizem, de forma espontânea, que em apenas dois meses já fizemos mais do que o PS fez em quatro anos, o que é gratificante, mas também muito responsabilizador.
- Aumentou a sua responsabilidade?
- Bom, essa aceitação reforça a nossa obrigação de continuar no terreno, a ouvir e a trabalhar com seriedade, porque a confiança constrói-se todos os dias. Sou um politico de accão, estou no Gabinete algumas horas, pois tenho o trabalho burocrático para fazer mas dedico todos os dias, duas a três horas para andar na rua de uma ponta a outra a acompanhar os nossos funcionários e a falar com os nossos fregueses....
- Como surgiu a entrada na corrida à Junta de Freguesia?
- A minha entrada na corrida à freguesia surgiu de forma muito natural. Resultou de muitos anos de ligação ao território, de contacto direto com as pessoas e da convicção de que a Venteira precisava de uma mudança real, assente em proximidade, trabalho e responsabilidade. Inicialmente eu estava na equipa da Dra Suzana Garcia para a vereação mas rapidamente se sentiu que tínhamos que apostar muito forte na Freguesia da Venteira e ai surgiu o meu nome para encabeçar este projecto que viria a ser ganhador!
- É, então, natural da Venteira?
- Sim, sou da Venteira. Vivo na Amadora há 53 anos, conheço bem a freguesia, os seus problemas, as suas potencialidades e, sobretudo, as pessoas. Não sou alguém que apareceu apenas em tempo de eleições: sempre estive presente, no dia a dia, nas ruas, nas coletividades e na vida da comunidade. Aliás, já tinha estado como tesoureiro e vice-presidente desta Junta em 2001. Foi essa ligação genuína ao território e às pessoas que me levou a avançar, com a certeza de que podia dar um contributo sério e útil à freguesia.

- Alguma vez lhe passou pela cabeça abraçar este desafio?
- Durante muito tempo, não. Sempre estive ligado à freguesia e atento aos seus problemas, mas nunca encarei isso como um objetivo pessoal ou uma ambição política. O meu regresso à vida política aconteceu pela mão da Dra. Suzana Garcia, que me desafiou e me convenceu a integrar a sua candidatura. Foi nesse contexto que surgiu, de forma natural, a minha consequente candidatura à Freguesia da Venteira. A ideia foi amadurecendo com o tempo, muito também pelos apelos de várias pessoas da freguesia que defendiam que era preciso fazer diferente. Chegou um momento em que percebi que já não fazia sentido ficar apenas a comentar ou a criticar: era preciso assumir responsabilidades e agir. Foi, precisamente, essa conjugação de desafio, confiança e sentido de dever que me levou a avançar e a abraçar este projeto com total empenho.
- Qual é a sua experiência política?
- A minha experiência na política começou muito cedo, aos 16 anos, quando entrei para a Juventude Socialista e me tornei militante do Partido Socialista, posição que mantive durante cerca de 25 anos. Durante esse tempo fui autarca, participei em várias comissões políticas do partido e envolvi-me ativamente na vida cívica e política da comunidade.
- Quais as razões que o levaram a sair do PS?
- Saí do PS por considerar que o partido estava a ser assaltado por pessoas com agendas pessoais e interesses próprios, que afastavam o foco do serviço à população. Ao longo da minha trajetória, também fui candidato à Assembleia da República e à Câmara da Amadora, desta vez por um Movimento Independente, reforçando sempre a minha vontade de servir sem estar preso a interesses partidários. Esta experiência ensinou-me muito sobre responsabilidade, proximidade com as pessoas e a importância de agir com seriedade e coerência, valores que continuam a guiar a minha atuação hoje na Freguesia da Venteira.

- A população com mais de 65 anos cifra-se nos 6676 habitantes. Qual ou quais os apoios para esta faixa etária?
- Na Venteira, a população com mais de 65 anos cifra-se em 6.676 habitantes, pelo que é uma faixa etária muito importante e com necessidades específicas que procuramos apoiar de forma concreta. A Junta da Freguesia oferece vários tipos de apoio, como programas de lazer e ocupação de tempos livres, atividades culturais e desportivas adaptadas, e acompanhamento social para quem precisa de apoio adicional no dia a dia. Também promovemos iniciativas de saúde e bem-estar, muitas vezes em parceria com instituições locais, para garantir que os seniores tenham acesso a cuidados básicos e informação útil. Além disso, apoiamos transportes e logística sempre que necessário, facilitando o acesso a eventos, consultas ou serviços da freguesia, garantindo que todos se sintam incluídos e ativos na comunidade. O objetivo é proporcionar qualidade de vida, inclusão e participação ativa para todos os nossos habitantes seniores.
- Mudemos o tema, há espaço para o desporto na Venteira?
- Sem dúvida que há espaço — e muita necessidade — para o desporto na Venteira. É uma área fundamental para a qualidade de vida, para a saúde e para o desenvolvimento social da freguesia. O desporto não é apenas competição: é inclusão, é ocupação saudável do tempo livre, é criar laços entre gerações e comunidades. Na Venteira há coletividades, clubes e associações com muito potencial que merecem apoio, mas é preciso investir também em infraestruturas, acessibilidade e programas que envolvam todos, desde os mais jovens até aos seniores.
- Desporto é então uma aposta forte?
- O nosso compromisso é apostar no desporto de forma consistente, criando condições para que cada vez mais venteirenses possam praticar atividades físicas, participar em iniciativas coletivas e sentir orgulho na sua freguesia.
- Como são as relações com o Estrela da Amadora e outros clubes?
- As relações com o Estrela da Amadora e com os outros clubes da freguesia são muito boas e de proximidade. Costumo ir ver todos os jogos do Estrela da Amadora, acompanhando de perto o esforço e a dedicação de todos os jogadores e equipa técnica. A nossa ideia é apoiar cada vez mais os clubes locais, dentro das possibilidades da Junta, garantindo que tenham condições para crescer e para envolver a comunidade. Infelizmente, contávamos com um apoio maior por parte da Câmara Municipal da Amadora, mas, para já, temos de trabalhar com os recursos disponíveis e continuar a fazer o melhor que podemos pela promoção do desporto na Venteira.
- Em que medida a junta apoia o Desporto?
- A Junta da Freguesia apoia o desporto de várias formas concretas. Fornecemos material sempre que necessário, prestamos apoio financeiro às coletividades e clubes locais, e facilitamos deslocações através do nosso autocarro. Além disso, dispomos de um pavilhão da freguesia que colocamos ao serviço dos clubes, garantindo que tenham um espaço adequado para treinos e competições. O nosso objetivo é criar condições reais para que o desporto continue a crescer na Venteira e envolva cada vez mais pessoas da comunidade.
- Para terminar, até onde vai o seu sonho na política?
- O meu sonho na política não se mede por cargos ou títulos, mas pelo impacto que posso ter na vida das pessoas e na melhoria da comunidade que represento. Quero continuar a servir com seriedade, proximidade e resultados concretos, garantindo que a Venteira seja um lugar melhor para todos. Claro que, como qualquer político, tenho ambição de ver os projetos que defendo crescerem e darem frutos, mas o foco principal é sempre o serviço à população e a confiança que os cidadãos depositam em nós. Cada passo que dou é pensado para fazer a diferença real, no dia a dia, e deixo também isso à consideração da nossa população.

Quem é João Pica?
João Pica, natural da Amadora, tem 53 anos, é casado há 26 anos e pai de dois filhos: uma filha de 22 anos, licenciada em Enfermagem e a trabalhar no Hospital Amadora-Sintra, e um filho de 11 anos. Tem cães e um gato. Define-se como uma pessoa ativa, adora ler, pratica krav maga há mais de seis anos e frequenta regularmente o ginásio.
A experiência política é vasta e diversificada. Já foi autarca pelo PS, vice-presidente de um Conselho Nacional do PDR, montou um Movimento Independente na Amadora que concorreu a todo o concelho e freguesias, foi presidente do Clube Porto Santo na Venteira e também presidente de uma associação de reformados. Esta trajetória proporcionou-lhe forte ligação à comunidade e uma experiência sólida no contacto direto com as pessoas. Além da política, sempre trabalhou no setor privado, permitindo-lhe desenvolver competências práticas e um entendimento profundo das necessidades do dia a dia das famílias e da comunidade em geral.