
A Escola Básica de Porto Salvo recebeu esta quarta-feira, 14 de janeiro, a cerimónia que marca a expansão dos projetos Bike Bus e Pedi Bus, iniciativa do Município de Oeiras, em parceria com a Parques Tejo. Este projeto vai abranger quatro novas escolas totalizando nove unidades escolares com rotas seguras e sustentáveis para que as crianças cheguem à escola de bicicleta.
Em dias específicos e percursos previamente definidos, pensados de acordo com as moradas dos alunos aderentes, as crianças entram no “comboio” numa estação próxima de casa e seguem em conjunto até à escola. Os trajetos foram desenhados considerando a baixa dificuldade e curta distância, garantindo diversão e segurança, e são acompanhados por adultos com formação específica, num ratio de um “maquinista” para cada quatro alunos.
A abertura da linha de Porto Salvo inclui quatro novas escolas: EB Porto Salvo, EB São Bruno, EB Samuel Johnson e EB Pedro Álvares Cabral, juntando-se às escolas que já integravam o projeto-piloto no ano letivo 2024/25 — EB Manuel Beça Múrias, EB Conde Ferreira, EB Gomes Freire de Andrade, EB Sá de Miranda e EB António Rebelo de Andrade.

O Presidente da Câmara Municipal de Oeiras sublinhou a importância do projeto: "Este projeto tem importância para o Concelho de Oeiras e para o país. Em 2025 teve um sucesso extraordinário. Realmente tem uma simbologia extraordinária do ponto de vista da formação das crianças.”
“Mas, naturalmente, nós não podemos olhar para este projeto, apenas porque estamos à porta da escola, temos uma dúzia de crianças que chegam de bicicleta, e dizemos que uma das crianças vem de bicicleta. Para isso acontecer é necessário que uma ou outra que more perto da escola já vai de bicicleta. O que importa é ir alargando a distância entre a escola e a casa do aluno. É preciso criar condições para que os pais sintam que esse percurso do filho em bicicleta é feito em segurança, que vai acompanhado, que não corre qualquer risco. Mas, ao mesmo tempo, há outra dimensão que a Câmara Municipal tem que, naturalmente, atuar também, que é o da qualidade do espaço público.”, continua.
O autarca reforçou ainda que a iniciativa se insere numa estratégia educativa mais ampla: "Este é mais um projeto na área educativa, envolvendo professores, pais e alunos, e faz parte de um outro projeto mais amplo, que tem a ver com a criação das melhores escolas neste país, com as melhores políticas e ferramentas tecnológicas deste país, porque nós queremos ter melhores escolas, ter melhores alunos e estamos a atingir esse resultado.
“Desde a creche à universidade, os alunos são acompanhados pela Câmara, e ninguém fica para trás"
“Mas não ficar para trás, significa que não fica mesmo atrás. Um aluno que chega ao décimo segundo ano e que tem talento, tem mérito, quer ir para a universidade, tem que ir. Se não tem dinheiro, a Câmara Municipal paga.”, diz.
E acrescenta que “é por isso que a Câmara de Oeiras tem mais bolsas que os municípios do país todos juntos. Tem que se abrir os cordões à bolsa, tem que se acreditar que a educação é estruturante na vida da nossa comunidade e que a educação é o maior elevador social. Quebrar o ciclo da pobreza demora, pelo menos, duas, três gerações ou mais, mas, através da educação, pode-se quebrar numa geração. Portanto, a educação para nós é isto tudo.”

Dina Aguiar, Administradora Executiva da Parques Tejo, destacou a dimensão cultural do projeto: "Quando queremos fazer uma mudança cultural, naturalmente entramos pelo eixo da educação. Daí surge todo um projeto Oeiras Move Escolas que tem quatro projetos para trazer este tema às crianças, às escolas, à educação.”
A responsável acrescentou ainda que a aceitação do projeto tem crescido através do “passa a palavra para os outros verem que realmente resulta criar a confiança nos pais e na comunidade educativa e assim então conseguirmos ter o sucesso esperado."
Dina acrescenta que o sucesso do programa se vê “assim que começamos a ver os resultados, a ver acontecer, os pais a conversarem uns com os outros, a perceber que realmente as paragens, os horários são cumpridos, as paragens são planeadas perto das habitações.”

Desde a primeira viagem, em maio de 2025, o programa já conta com 23 linhas ativas e mais de 100 crianças inscritas, promovendo hábitos saudáveis e retirando automóveis das ruas. O objetivo é estender gradualmente o Bike Bus e o Pedi Bus a todas as escolas do concelho.
“Já temos mais de 111 inscritos este ano letivo. O ano passado, que foram só dois meses de ação, foram 121 crianças, mais de 300 km percorridos. Esta evolução e esta produção tem muito a ver também com esta capacidade de expansão em que pretendemos chegar a todas as escolas do Concelho.”, conta Dina Aguiar.

Estes são apenas dois dos projetos inseridos no Oeiras Move Escolas.
“Depois temos o fiscal por um dia e a escola de mobilidade. O fiscal por um dia tem a ver com a passagem da importância às crianças daquilo que é a regulação do estacionamento.”, conta Dina Aguiar.
“As crianças experienciam ser agentes de fiscalização do estacionamento com os nossos agentes, verificam as viaturas que estão bem estacionadas a cumprir as regras e as que não estão, deixam de forma simbólica um auto de contraordenação ou de premiação e assim percebem a diferença entre um carro que está a cumprir as regras e um que não está.”, explica a administradora.
E acrescenta que “é muito interessante porque nesta dinâmica há crianças que dizem que têm que levar coimas para casa porque os pais muitas vezes não estacionam bem e precisam implementar contraordenações aos pais e isso é muito interessante porque percebe-se que há ali uma consciencialização daquilo que efetivamente é a importância que temos a regulação e não só a velha história do caça à multa. Há ali um motivo pelo qual esta ação é necessária.”
Já na escola de mobilidade “temos um circuito onde as crianças aprendem as regras de trânsito, tanto enquanto peões como enquanto condutores, de bicicletas e de uns pequenos karts e assim conseguem aprender também estas regras.”, conta.