
A Amoreira foi palco de uma noite em que tudo correu de feição a uns… e praticamente nada aos outros. O Estoril confirmou a fama de terreno imprevisível e venceu o Alverca por expressivos 4-1, num jogo marcado por golaços, autogolos cruéis e uma sucessão de infortúnios que deixaram os ribatejanos à mercê dos acontecimentos.
O resultado construiu-se com um bis de Begraoui (44’ e 47’) e dois autogolos de Meupiyou (36’ e 61’), numa noite particularmente ingrata para o defesa. Do lado visitante, Alex Amorim assinou o momento mais bonito da partida, com um remate indefensável que valeu o golo de honra e aplausos até de quem vestia de amarelo.
Ajustes e expectativas
Depois de uma ronda anterior de sentidos opostos, Estoril e Alverca apresentaram-se com alterações semelhantes no onze. Ian Cathro mexeu na estrutura defensiva, lançando Pedro Álvaro, e surpreendeu ao deixar fora André Lacximicant, herói frente ao Braga, apostando em Alejandro Marquès. Custódio respondeu com mudanças na frente ofensiva, promovendo Sandro Lima e Nuozzi.
Primeira parte: o vento empurra, mas a sorte decide
Com o vento a soprar a favor do Alverca, foram os visitantes a dar o primeiro aviso sério. Lincoln disparou de fora da área e obrigou Robles a uma defesa de grande nível. Pouco depois, Chissumba aproveitou uma hesitação defensiva, mas desperdiçou uma ocasião clara ao rematar por cima.
O jogo perdeu clareza, ganhou nervo e viveu de erros no meio-campo. Num desses momentos, um passe mal medido de Lincoln abriu espaço ao Estoril pelo corredor direito. João Carvalho tentou o cruzamento e viu Meupiyou desviar a bola para a própria baliza, apanhando André Gomes desprevenido (36’).
O segundo golpe chegou já perto do intervalo e voltou a sorrir aos canarinhos. Um lance de bola parada terminou num passe inesperado de Guitane que encontrou Begraoui solto na área. O avançado mostrou frieza e ampliou a vantagem, num retrato fiel de uma primeira parte onde o Estoril foi mais eficaz… e mais feliz.
Segunda parte: um vendaval amarelo
Custódio procurou mudar o rumo dos acontecimentos e lançou Marezi para o segundo tempo. O Alverca até entrou com intenções, mas bastaram dois minutos para o jogo ficar praticamente resolvido. Begraoui recebeu à esquerda, fletiu para o meio e disparou um remate colocado ao ângulo, um verdadeiro hino à qualidade individual (47’).
A equipa ribatejana acusou o impacto e, quando tentava reorganizar-se, voltou a ser traída pelo azar. Um cruzamento rasteiro atravessou a área, ninguém conseguiu o desvio final e a bola voltou a encontrar Meupiyou, que somou o segundo autogolo da noite (61’). Para agravar o cenário, Marezi saiu lesionado pouco depois, com apenas um quarto de hora em campo.
Um golo para a memória
No meio do vendaval, Alex Amorim recusou baixar os braços. Pegou na bola, avançou decidido, puxou para o pé direito e desenhou um remate perfeito ao ângulo, sem qualquer hipótese para Robles. Um golo de levantar estádios, que deu dignidade ao resultado e justificou o destaque do jovem num mercado de inverno que se aproxima.
Até ao final, houve ainda tempo para mais uma boa defesa de cada guarda-redes, mas o marcador não voltou a mexer. O Estoril celebrou uma vitória robusta que o lança para o nono lugar, enquanto o Alverca sai da Amoreira com uma derrota pesada e a sensação de que, nesta noite, o futebol foi particularmente cruel.
RICARDO PINHEIRO JORGE